Em 2005, todos os olhos estavam postos num filme de terror chamado “Hostel”, que era promovido como um dos melhores
da década. Choviam os relatos de pessoas que desmaiaram enquanto assistiam a filme. E, com Quentin Tarantino a apoiar o projecto… que resultado imaginavam? Exacto, um dos filmes que gerou mais hype ultimamente e que, apesar de não estar à altura do que se ouvia, me agradou. Agora, dois anos depois, já sem o efeito novidade e com uma premissa bastante semelhante à do anterior, chega-nos “Hostel: Parte 2″. A questão era: seria esta uma boa sequela ou apenas uma tentativa de lucrar no sucesso do primeiro?
Em primeiro lugar, a história do filme (que mais parecia uma cópia do primeiro, com a excepção de agora, em vez de rapazes, serem raparigas) gira à volta de três estudantes de arte (Beth, a sua amiga promiscua Whitney e a extremamente-doce-e-simpática-que-chega-a-ser-irritante Lorna, interpretadas por Lauren German, Bijou Phillips e Heather Martarazzo, respectivamente) que partem para a Eslováquia à procura de descanso num Spa e de outras duas personagens, Todd e Stuart (interpretados por Richard Burgi e Roger Bart), dois homens que se iniciam na já conhecida
“Elite Hunting” e se preparam para a primeira sessão de tortura. Como vêem, desta vez temos não só a perspectiva das vítimas mas de também dos também de quem tortura, o que, além de trazer diversidade, nos mostra mais aprofundadamente como se dão as coisas nos bastidores, antes das sessões de sadismo que acontecem mais tarde no filme. E a história (ou, pelo menos, a primeira parte) está bem melhor que no primeiro, pois temos oportunidade de ver o destino de Paxton (único sobrevivente de “Hostel), mas também de ver as mudanças que ocorreram na organização e na “fábrica” da morta – como consequência da fuga de duas vítimas, a segurança tornou-se agora muito mais complexa e sofisticada, por exemplo – e de acompanhar personagens mais variadas, ao contrário do antecessor, em que na primeira parte éramos bombardeados com cenas de sexo descartáveis e excessivas. Quando, finalmente, as nossas amigas chegam ao destino e o terror realmente começa, as coisas mudam de panorama (não só para o tom da história como para a sua qualidade).

Depois de uma primeira parte algo arrastada, o filme lá chega à parte que a todos interessa: as cenas de terror/tortura. No objectivo – muito por culpa da forma como são filmadas. Existe uma cena sobre canibalismo que, da forma como foi filmada, é provável que em vez de ficarem boquiabertos com o que estão a ver, se riam. E isso não é muito bom num filme destes. Quanto às cenas de tortura em si, não são tão abundantes ou longas como no primeiro e somente uma se destaca daquilo a argumento, existem cenas que foram escritas claramente para chocar. Contudo, na prática, nem todas cumprem o seu que já fomos habituados – não só pelo valor dramático da cena, pois, quando acontece, já temos empatia pela personagem, mas pela criatividade. É uma cena perturbadora, nojenta e visceral. Quanto ao resto, uma delas é curtíssima e não temos sequer o privilégio de ver o desfecho (porém, é também eficiente) e as outras não são nada de grandioso. Porém, nesta segunda incursão, existem outras cenas que contrabalançam a fraca abundância das torturas, ao contrário do primeiro.
Eli Roth, o realizador, parece ter percebido que um filme de terror gira também à volta do suspense e, desta vez, temos algumas cenas de perseguição que antecedem o matadouro humano. Destaco aqui aquela que se inicia na lagoa (a forma como foi editada leva-nos a crer que é um sonho).

Mas, no fundo, a pergunta que fica no ar é: consegue o filme atingir os seus objectivos? A minha resposta é sim, mas com falhas. As torturas mostram a natureza humana no seu estado mais obscuro e sádico, mas existem outras cenas de igual valor: note-se, por exemplo,aquela em que vemos várias pessoas espalhadas pelo mundo a participar no leilão humano: entre elas, vemos um avô num parque de diversões a sorrir para o neto enquanto tenta ganhar a oportunidade de torturar alguém. Isto sim, perturba, e penso que serve como fio condutor de uma das mensagens mais importantes do filme: não importa o quão normais aparentemos ser, há sempre aquele lado mais negro em todos (como podemos ver no IMDb, onde existem tópicos do género “Como matariam alguém?”) e os membros da Elite Hunting podem ser quaisquer uns.
Existe depois também uma cena em que uma das personagens principais é preparada para um cliente e que é igualmente sinistra.

Como um todo, o filme é bastante sólido. Existe uma melhor história (apesar do final não chegar ao nível dos excelentes últimos minutos do primeiro), com actores mais conhecidos e com muita coisa para agradar aos fãs do género. Porém, esta segunda viagem fica a perder devido a negligenciar algumas partes da história (não ficamos a saber como uma personagem é capturada ou como certa personagem fica completamente sozinha no Spa, depois de adormecer na lagoa) e também pelo horrível final que, além de cómico, soa irreal e forçado. Adicionem a isso o facto da personagem sobrevivente do primeiro (Paxton) ser descartada logo no início e não fica bem aquilo que esperávamos. Não é tão bom como o primeiro mas é sem dúvida um bom filme, apesar de ter falhas que poderiam muito bem ser colmatadas com uma revisão do argumento ou com uma edição mais rigorosa. E o humor negro aqui não ajuda em nada. O filme não foi tão bem sucedido como o primeiro pelo que, possivelmente, é a última vez que visitamos aquele lugar – o que não é totalmente negativo.
Nota: 8/10 
Citações Memoráveis:
Whitney: [to Beth] Is he hot, or is he too Eastern Bloc?
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Beth: I’m not your wife. She doesn’t understand you. I do, and I see how you’re strong.
Stuart: I am strong. I am fucking Hercules!

NA VERDADE EU VOU FAZER UMA PERGUNTA
SE ESSA ELITE HUNTING EXISTE MESMO?
Olá, caroline. Esse é um assunto muito debatido pelos fóruns do filme: “será que existe uma agência assim?”. a resposta é que não, a “elite hunting” é fictícia e, apesar de ser possível – e, pessoalmente, acreditar nisso – que haja gente que encete práticas semelhantes, no nosso mundo – olha a cena da prisão no Iraque, por exemplo -, é quase impossível manter uma organização de tais dimensões sem levantar suspeitas.
cumprimentos, Rúben
OLÁ, ASSISTI O PRIMEIRO, E ACHO ESTRANHO QUE AS PESSOAS SOMEM DE REPENTE,NÃO MOSTRA COMO FORAM CAPTURADAS, E AQUELE LUGAR PARECE UM MATADOURO(PIOR QUE O FILME DE O MASSACRE DA SERRA ELETRICA),PELO MENOS LÁ SABIAMOS QUE O CARA ERA LOUCO, AGORA …NESSE FILME AS PESSOAS APARENTEMENTE NORMAIS,FAZEM ESSE TIPO DE COISA,SEM NENHUM PROPOSITO…..IREI VER O SEGUNDO,DE REPENTE É MELHOR.
E DETALHE….PARECE QUE TODOS SÃO CUMPLICES DA MATANÇA, ATÉ A AUTORIDADE MAIOR……….ESPERO QUE ESSA TAL ENTIDADE NÃO EXISTA………DEUS ME LIVRE.