24
Set
07

Hostel: Parte 2 – Crítica

Em 2005, todos os olhos estavam postos num filme de terror chamado “Hostel”, que era promovido como um dos melhores da década. Choviam os relatos de pessoas que desmaiaram enquanto assistiam a filme. E, com Quentin Tarantino a apoiar o projecto… que resultado imaginavam? Exacto, um dos filmes que gerou mais hype ultimamente e que, apesar de não estar à altura do que se ouvia, me agradou. Agora, dois anos depois, já sem o efeito novidade e com uma premissa bastante semelhante à do anterior, chega-nos “Hostel: Parte 2″. A questão era: seria esta uma boa sequela ou apenas uma tentativa de lucrar no sucesso do primeiro?

Em primeiro lugar, a história do filme (que mais parecia uma cópia do primeiro, com a excepção de agora, em vez de rapazes, serem raparigas) gira à volta de três estudantes de arte (Beth, a sua amiga promiscua Whitney e a extremamente-doce-e-simpática-que-chega-a-ser-irritante Lorna, interpretadas por Lauren German, Bijou Phillips e Heather Martarazzo, respectivamente) que partem para a Eslováquia à procura de descanso num Spa e de outras duas personagens, Todd e Stuart (interpretados por Richard Burgi e Roger Bart), dois homens que se iniciam na já conhecida “Elite Hunting” e se preparam para a primeira sessão de tortura. Como vêem, desta vez temos não só a perspectiva das vítimas mas de também dos também de quem tortura, o que, além de trazer diversidade, nos mostra mais aprofundadamente como se dão as coisas nos bastidores, antes das sessões de sadismo que acontecem mais tarde no filme. E a história (ou, pelo menos, a primeira parte) está bem melhor que no primeiro, pois temos oportunidade de ver o destino de Paxton (único sobrevivente de “Hostel), mas também de ver as mudanças que ocorreram na organização e na “fábrica” da morta – como consequência da fuga de duas vítimas, a segurança tornou-se agora muito mais complexa e sofisticada, por exemplo – e de acompanhar personagens mais variadas, ao contrário do antecessor, em que na primeira parte éramos bombardeados com cenas de sexo descartáveis e excessivas. Quando, finalmente, as nossas amigas chegam ao destino e o terror realmente começa, as coisas mudam de panorama (não só para o tom da história como para a sua qualidade).

Depois de uma primeira parte algo arrastada, o filme lá chega à parte que a todos interessa: as cenas de terror/tortura. No objectivo – muito por culpa da forma como são filmadas. Existe uma cena sobre canibalismo que, da forma como foi filmada, é provável que em vez de ficarem boquiabertos com o que estão a ver, se riam. E isso não é muito bom num filme destes. Quanto às cenas de tortura em si, não são tão abundantes ou longas como no primeiro e somente uma se destaca daquilo a argumento, existem cenas que foram escritas claramente para chocar. Contudo, na prática, nem todas cumprem o seu que já fomos habituados – não só pelo valor dramático da cena, pois, quando acontece, já temos empatia pela personagem, mas pela criatividade. É uma cena perturbadora, nojenta e visceral. Quanto ao resto, uma delas é curtíssima e não temos sequer o privilégio de ver o desfecho (porém, é também eficiente) e as outras não são nada de grandioso. Porém, nesta segunda incursão, existem outras cenas que contrabalançam a fraca abundância das torturas, ao contrário do primeiro.

Eli Roth, o realizador, parece ter percebido que um filme de terror gira também à volta do suspense e, desta vez, temos algumas cenas de perseguição que antecedem o matadouro humano. Destaco aqui aquela que se inicia na lagoa (a forma como foi editada leva-nos a crer que é um sonho).

Mas, no fundo, a pergunta que fica no ar é: consegue o filme atingir os seus objectivos? A minha resposta é sim, mas com falhas. As torturas mostram a natureza humana no seu estado mais obscuro e sádico, mas existem outras cenas de igual valor: note-se, por exemplo,aquela em que vemos várias pessoas espalhadas pelo mundo a participar no leilão humano: entre elas, vemos um avô num parque de diversões a sorrir para o neto enquanto tenta ganhar a oportunidade de torturar alguém. Isto sim, perturba, e penso que serve como fio condutor de uma das mensagens mais importantes do filme: não importa o quão normais aparentemos ser, há sempre aquele lado mais negro em todos (como podemos ver no IMDb, onde existem tópicos do género “Como matariam alguém?”) e os membros da Elite Hunting podem ser quaisquer uns.
Existe depois também uma cena em que uma das personagens principais é preparada para um cliente e que é igualmente sinistra.

Como um todo, o filme é bastante sólido. Existe uma melhor história (apesar do final não chegar ao nível dos excelentes últimos minutos do primeiro), com actores mais conhecidos e com muita coisa para agradar aos fãs do género. Porém, esta segunda viagem fica a perder devido a negligenciar algumas partes da história (não ficamos a saber como uma personagem é capturada ou como certa personagem fica completamente sozinha no Spa, depois de adormecer na lagoa) e também pelo horrível final que, além de cómico, soa irreal e forçado. Adicionem a isso o facto da personagem sobrevivente do primeiro (Paxton) ser descartada logo no início e não fica bem aquilo que esperávamos. Não é tão bom como o primeiro mas é sem dúvida um bom filme, apesar de ter falhas que poderiam muito bem ser colmatadas com uma revisão do argumento ou com uma edição mais rigorosa. E o humor negro aqui não ajuda em nada. O filme não foi tão bem sucedido como o primeiro pelo que, possivelmente, é a última vez que visitamos aquele lugar – o que não é totalmente negativo.

Nota: 8/10

Citações Memoráveis:

Whitney: [to Beth] Is he hot, or is he too Eastern Bloc?
—————————–
Beth: I’m not your wife. She doesn’t understand you. I do, and I see how you’re strong.
Stuart: I am strong. I am fucking Hercules!


5 Respostas to “Hostel: Parte 2 – Crítica”


  1. 1 caroline
    5 05UTC Janeiro 05UTC 2008 às 00:11

    NA VERDADE EU VOU FAZER UMA PERGUNTA
    SE ESSA ELITE HUNTING EXISTE MESMO?

  2. 2 Pipocas e Outras Tretas
    7 07UTC Janeiro 07UTC 2008 às 15:22

    Olá, caroline. Esse é um assunto muito debatido pelos fóruns do filme: “será que existe uma agência assim?”. a resposta é que não, a “elite hunting” é fictícia e, apesar de ser possível – e, pessoalmente, acreditar nisso – que haja gente que encete práticas semelhantes, no nosso mundo – olha a cena da prisão no Iraque, por exemplo -, é quase impossível manter uma organização de tais dimensões sem levantar suspeitas.

    cumprimentos, Rúben

  3. 3 MARIA INES
    21 21UTC Setembro 21UTC 2008 às 19:30

    OLÁ, ASSISTI O PRIMEIRO, E ACHO ESTRANHO QUE AS PESSOAS SOMEM DE REPENTE,NÃO MOSTRA COMO FORAM CAPTURADAS, E AQUELE LUGAR PARECE UM MATADOURO(PIOR QUE O FILME DE O MASSACRE DA SERRA ELETRICA),PELO MENOS LÁ SABIAMOS QUE O CARA ERA LOUCO, AGORA …NESSE FILME AS PESSOAS APARENTEMENTE NORMAIS,FAZEM ESSE TIPO DE COISA,SEM NENHUM PROPOSITO…..IREI VER O SEGUNDO,DE REPENTE É MELHOR.

  4. 4 MARIA INES
    21 21UTC Setembro 21UTC 2008 às 19:33

    E DETALHE….PARECE QUE TODOS SÃO CUMPLICES DA MATANÇA, ATÉ A AUTORIDADE MAIOR……….ESPERO QUE ESSA TAL ENTIDADE NÃO EXISTA………DEUS ME LIVRE.


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