“A Estrada”, de Cormac McCarthy

Confesso que nunca tinha lido nenhum livro de Cormac McCarthy pelo que não posso, de todo, sancionar o jornal “Newsweek” quando diz que “a cada livro, Cormac McCarthy vai alargando o território da ficção norte-americana”. No entanto, penso que ia preferir qualquer outro livro de ficção norte-americano que não fosse “A Estrada” (2007). Cormac McCarthy é o autor de nove romances, nos quais a editora Relógio D’Água tem publicado mais três: “O Filho de Deus”, “O Guarda do Pomar” e “Meridiano de Sangue”. Depois de estar no “Oprah’s Book Club”, decidi comprar este livro mal saiu em Portugal e posso dizer que me arrependi…
A premissa é simples: num futuro próximo, depois de um assolador acontecimento, algo reduz os Estados Unidos da América a uma paisagem devastada, onde a cinza voa no vento. Um pai e um filho caminham sozinhos pelo país, não tendo mais nada do que uma pistola para se defenderem dos forasteiros e a sua própria presença. Cativou-me a sinopse, a ideia dum futuro onde não há esperança e onde só a união faz a força. No entanto, a concepção está muito mal aproveitada e, apesar de ser um livro pequeno, toda a narrativa arrasta-se de uma forma aborrecida e melancólica pelos eventos que vão decorrendo.
A forma como “A Estrada” está escrita pode lembrar a alguns a escrita de José Saramago mas – dizem alguns – é mais leve e atraente. Nisso, divirjo por completo. O que podia ser uma história de força verdadeiramente comovente, tornou-se num enfadonho e cáustico conto. As personagens são pouco aprazíveis e muito dificilmente nos iríamos rever nelas – principalmente a do pai. Algumas cenas estão tão bem escritas que me dá pena estarem tão mal ajustadas à ocorrência. Os diálogos estão demasiado previsíveis e repetitivos pelo que nos dá vontade de fechar o livro mal acabamos de ler duas páginas, no máximo. No entanto, um ponto positivo é sobretudo a descrição do cenário, que nos faz sair do local onde nos encontramos a ler e faz-nos ver tudo aquilo que é descrito.
Nisto tudo, podemos sempre retirar sempre uma metáfora do livro, por mais distante que nos pareça estar… é-me contudo impossível não pensar que toda esta percepção podia estar muito melhor aproveitada se fosse escrito por -quem sabe? - José Saramago.

 

O Melhor: A descrição do cenário.
O Pior: Concepção mal aproveitada, os diálogos e o desajustamento das cenas.
Nota: 5/10

10 Respostas para ““A Estrada”, de Cormac McCarthy”

  1. mary Diz:

    adorei a critica. por acaso nao tinha ouvido falar desse livro..

  2. Luiz Roberto Kozikoski Diz:

    Gostei da idéia, desde a primeira vez que li o resumo na orelha do livro.
    Comprei e de uma vez li as primeiras 70 páginas.

  3. ana pereira Diz:

    Quem escreveu isto não sabe ler

  4. Pipocas e Outras Tretas Diz:

    ana pereira, então? isso não é refutação nenhuma aos argumentos utilizados pelo flávio. é, sim, uma falácia, ad hominem!

  5. “Orgulho e Preconceito”, de Jane Austen « Pipocas e Outras Tretas Diz:

    [...] semelhança de como o Flávio iniciou a sua crítica ao livro de Cormac McCarthy (vejam aqui), posso também dizer que, apesar de já ter ouvido falar da autora, nunca tinha lido nenhum livro [...]

  6. Carlos Almeida Diz:

    Sinto-me inclinado a acreditar que o autor da crítica é pago ao adjectivo. Quem diz que não se revê nas personagens carece de sentimentos e até de algum senso comum. Não é comovente?! Enfadonho?! Os diálogos previsíveis?! Jovem, tenho quase a certeza que leste o livro enquanto vias uns episódios de uma qualquer telenovela… creio que quem carece de ajustamento e enquadramento no que ao cerne da questão (conteúdo, diálogos etc.) diz respeito és tu…No entanto dou-te o beneficio da duvida…Ninguém é perfeito…e tu, ainda não roças o cruzamento do discernimento necessário para avaliar e/ou criticar uma obra poderosa como esta! Cpts.

  7. Carlos Almeida Diz:

    Amigo!!!! O “Homem” venceu inclusivé um Pullitzer…
    Sinceramente um bocadinho por favor….

  8. Expiação - Crítica ao Livro e Filme « Pipocas e Outras Tretas Diz:

    [...] contando com um elenco fantástico; Saoirse Ronan, Keira Knightley e James McAvoy. Ao contrário do que achei com Cormac McCarthy com “A Estrada” (que curiosamente recebeu algumas reacções [...]

  9. Edy Diz:

    A “Estrada” de Cormac McCarthy é um livro extraordinário, original, fora dos padrões, das receitas, da mesmice de grande parte da literatura. Ao lê-lo tem-se a sensação de extranheza, de angústia, do imponderável; que só sentimos no contato com obras primas, como as de Kafka,por exemplo.

  10. Pipocas e Outras Tretas Diz:

    Sinceramente, Carlos Almeida, a sua presunção choca-me.

    “Jovem, tenho quase a certeza que leste o livro enquanto vias uns episódios de uma qualquer telenovela… ”

    Em primeiro lugar, a “telenovela” não é um produto que agrade minimamente a nenhum dos membros do Pipocas e Outras Tretas. Podemos ser jovens, sim, mas temos já atitude crítica. O facto de a maioria dos adolescentes ver “Morangos Com Açucar”, por exemplo, não é motivo que me leve a assistir à novela.
    Por falar em atitude crítica:

    “Amigo!!!! O “Homem” venceu inclusivé um Pullitzer…
    Sinceramente um bocadinho por favor….”

    Sim, venceu… e depois? Não sou propriamente apologista de considerar um livro, pessoalmente, um clássico, apenas porque diz “Clássicos” na capa. Não, se achar que não o merecer e argumentar a minha opinião - como foi o caso do Flávio -, têm de respeitá-la.

    “No entanto dou-te o beneficio da duvida…Ninguém é perfeito…e tu, ainda não roças o cruzamento do discernimento necessário para avaliar e/ou criticar uma obra poderosa como esta! Cpts.”

    Agora sou eu que digo: Por amor de Deus. Diga-me, só porque uma pessoa não gostou tanto do livro já não tem o discernimento necessário para o avaliar? Ridículo, quase. O Flávio tem já uma vasta cultura literária e, só para o elucidar um bocadinho, apreciou bastante (ler: adorou) livros como “Ensaio sobre a Cegueira”, de José Saramago… Prémio Nobel (!!), “Expiação”, de Ian McEwan e lê actualmente um livro de Tosltoi. Se quiser continuar a acreditar que ele não tem discernimento para avaliar livros como “A Estrada”, continue…!

    Enfim, como disse, a presunção que revelou nos comentários chocou-me.

    Cumprimentos,
    Rúben

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