“O Apartamento Fatídico” de Erle Stanley Gardner

É aos fãs de um bom velho policial que dedico esta crítica d’ “O Apartamento Fatídico” de Erle Stanley Gardner, escrito sob o pseudónimo de A. A. Fair, e publicado em 1942. O seu título original era “Owls Don’t Blink” (”As Corujas Não Pestanejam”), e é o sexto de vinte e nove livros deste autor que têm como estrelas os detectives privados Bertha Cool e Donald Lam.

Para qualquer leitor de policiais, Erle Stanley Gardner é o cúmulo dos romances legais. Visto o autor ter sido advogado — que mais tarde se reformou para prestar atenção à sua escrita — os seus livros estão carregados de referências à lei, e de detectives fora do comum que prestam mais atenção aos buracos na constituição do que os ratos aos buracos na parede.

Donald Lam e Bertha Cool (da firma do mesmo nome, “Cool&Lam Detectives”) correspondem a este perfil.

Bertha é uma viúva obesa, que funda a sua própria agência aquando da morte do seu marido. De língua afiada e sempre cheia de críticas a tudo o que a rodeia, clientes incluídos, Bertha não dá tréguas às pessoas que procuram a aprovação dela, e é uma mulher dura — é por isso que tem tendência a receber insultos.

Donald, por sua vez, é um ex-advogado que foi arrancado à lei por ter descoberto um furo na Constituição. É baixo e franzino, e é espancado com frequência, perdendo a grande maioria das lutas em que se mete. Porém, é ele quem traz à baila o título do livro, na célebre cena:

“Você é como uma coruja, Donald.”
“Sou, e as corujas não pestanejam.”

O livro “O Apartamento Fatídico” é apenas mais um caso que se apresenta à firma. Porém, desta vez, são chamados para bem longe do seu centro de operações Californiano, para Nova Orleães. O seu trabalho é aparentemente fácil: encontrar uma mulher que está desaparecida — mulher esta que é uma modelo nova-iorquina cuja cara está em centenas de revistas. Donald dá por si, porém, pouco tempo depois, envolto numa trama que o obriga a esconder a rapariga, já que tanto a polícia de Los Angeles como a de Nova Orleães a procuram, com duas excelentes razões, ambas assassínio!

Este livro é escrito no estilo habitual de Gardner, ou seja, não é para fãs de escrita curvilínea cheia de descrições, ou de livros em que toda a trama seja explicada ponto por ponto. Gardner escreve levando tudo directamente ao assunto, portanto o seu texto é baseado em diálogo e linhas de acção curtas e concisas.

Donald age sempre em grande secretismo — tanto para com o cliente como para Bertha — portanto muitas vezes nem mesmo o leitor sabe qual é o plano do detective para conseguir os seus propósitos. Porém, é assim que Donald cativa, e quando, finalmente, explica aquilo que fez (mais uma vez, tudo o que se passa fora de cena é explicado através do diálogo), percebemos a astúcia deste e o detalhe do seu planeamento.

Acima de tudo, a escrita de Erle Stanley é leve e fácil de seguir, mas as tramas são muito profundas e levam toda a concentração do leitor para as compreender — e é quando as compreendemos que tudo faz clique. Recomendado a qualquer um cansado de Sherlock Holmes e Hercule Poirot!

No fundo — um 8/10, a perda de pontos referindo-se apenas às vezes em que a descrição parece estar demasiado em falta, deixando até um espaço vazio.

2 Respostas para ““O Apartamento Fatídico” de Erle Stanley Gardner”

  1. Pipocas e Outras Tretas Diz:

    Só falta aí a nota que dás…!!

  2. Pipocas e Outras Tretas Diz:

    Gostei muito da critica, contudo, não sou fã de policiais ;)

    Flávio

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