“Os Filhos de Anansi”, de Neil Gaiman

Neil Gaiman não era, para mim, aquilo a que poderíamos chamar “perfeito desconhecido”, afinal de contas já tinha ouvido falar do senhor, mas foi só quando vi “Stardust” que me decidi a lê-lo. Adorei-o, e é do livro dele mais recentemente lido por moi, que eu vos vou falar.
“Os Filhos de Anansi”, publicado entre nós pela Presença, em 2006, fala-nos de Charles Nancy (mais conhecido por Charlie Gordo, apesar da sua condição física não ser exactamente essa): residente em Londres, que se embaraça com qualquer situação (e o seu pai era perito em situações embaraçosas), que está prestes a casar; essencialmente, alguém que nós não olharíamos duas vezes se passasse por nós na rua.
Mas a sua vida dá uma completa volta quando, ao descobrir que o seu pai morreu, e logo após o funeral, lhe é revelado que afinal não é filho único; e mais, que o seu pai era Anansi, um deus (deus-aranha) africano, e que fora o seu irmão quem ficaram com a parte, digámos, “divina” da família.
Ao convidar o seu irmão para se conhecerem, Charlie estava tudo menos preparado para o que aconteceria: Spider rouba-lhe Rosie, a sua noiva, põe em risco tanto o seu emprego como a sua liberdade, e recusa-se a sair lá de casa. Farto de tudo isto, Charlie Gordo faz um acordo com um deus, mas as consequências desse acordo não eram exactamente o que Charles esperava…
Aquilo que poderia ser um livreco de uma adolescente-armado-a-escritor-que-não-vale-um-chavo (uma expressão interessante que eu ouvi um dia destes), é, na realidade, um livro magnifico, onde a inegável qualidade de Gaiman nos traz, como de costume, o seu humor crítico e puramente britânico, numa estória onde deuses, pássaros assassinos, fantasmas, sogras imprestáveis, familiares embaraçantes, e muitas outras coisas se encontram.
Este livro não pertence a um só género, aliás, citando a Presença, é “uma mistura inusitada de géneros — épico mágico, fantástico, comédia romântica, thriller e drama —”.
Neil Gaiman é, sem dúvida, um autor imprescindível na lista de leituras, pelo menos, dos fãs da literatura fantástica.Recomendo vivamente.P.S.: Sei que é usual atribuir-se nota, mas a literatura é tão vasta, que não sei como poderia fazer desse tipo de avaliações. Perdoem-me por isso.
