Grey’s Anatomy - Balanço Temporada 4 (1ª Parte)

Semelhante ao que o Flávio fez com “Desperate Housewives”, começo com este post o meu balanço da quarta e mais recente temporada de “Grey’s Anatomy”. Também como ele fez, condensando a sua opinião acerca dos primeiros 10 episódios em duas partes (a primeira, aqui; a segunda, aqui), este balanço será constituído por duas partes - ficando uma eventual terceira parte para os restantes episódios da temporada, actualmente em produção. Desaconselho vivamente este post a quem não queira saber spoilers sobre a quarta temporada, bem como das anteriores, pois é inevitável que, para falar da evolução de enredo e personagens, não sejam mencionados acontecimentos precedentes. Quem quiser ficar dentro dos principais acontecimentos que marcaram os primeiros seis episódios desta temporada e a minha opinião sobre o que foi visto, continue a ler.
Confesso que, contrariamente ao que muitos fãs pensaram, não achei que a terceira temporada fosse má. Sim, é verdade que houve alguns erros que foram cometidos (como as mortes excessivas) e também não é mentira que houve menos momentos cómicos mas ninguém pode negar que existiram dramas muito bem construídos que nos fizeram inúmeras vezes torcer (e também, temer) pelas personagens principais. O episódio final deixou, além disso, várias storylines em aberto: o aparente final do casal Meredith e Derek (ou, como os fãs lhe chamam, MerDer), a chegada de Lexie, a meia-irmã de Meredith, como estagiária, a reprovação de George no exame e, claro: o abandono de Cristina no dia do casamento por parte de Burke; este último acontecimento fechou, a meu ver, o ciclo de desgraças amorosas das quais foram vítimas as três personagens principais femininas: no final da primeira temporada, Meredith descobre que o seu actual namorado é casado; no final da segunda, o noivo de Izzie morre; agora, Cristina é abandonada no altar. Vejamos então de que forma foram abordados estes (e outros) assuntos nos episódios iniciais.
Shonda Rhimes, a criadora da série, prometeu que, com a quarta temporada, existiriam muitas mudanças. Por isso, não é de estranhar que o primeiro episódio seja chamado “A Change Is Gonna Come” (ou, em português, “Uma Mudança Está Para Vir”, numa tradução menos literal). O episódio inicia-se ao vermos as nossas personagens principais - Cristina, Meredith, Izzie, Alex -, agora residentes, a dar as primeiras instruções aos estagiários. Pelas suas ordens (I have five rules. Memorize them. Rule number one, don’t bother sucking up, I already hate you. That’s not gonna change; Trauma protocols, phone lists, pagers. The nurses will page you. You answer every page at a run…a run. That’s rule number two. You’re supposed to follow me; Your first shift starts now and lasts 36 hours. You’re grunts, nobodies, the bottom of the surgical food chain. You run labs, you write orders, you work every second night until you drop, and you don’t complain, por exemplo), desde logo percebemos que, não sabendo melhor forma de lidar com a situação, todos estão a imitar a forma como Bailey lhes falou no primeiro episódio da série, “A Hard Day’s Night”. Vemos também que Cristina, em vez de se esforçar por memorizar os nomes dos seus estagiários (nem o dos pacientes memoriza, geralmente, como sabemos), dá um número a cada um, passando a tratá-los por “Um”, “Dois”, “Três” - a “Três” é a Lexie - e assim sucessivamente. Este é o grande ponto de viragem na série: os quatro deixaram de ser simples estagiários e têm agora os seus próprios “pupilos”. Numa conversa de grupo que os quatro têm a seguir, ficamos a saber que se passaram 17 dias desde o dia do casamento e que cada um teve o seu próprio programa: Alex viajou até à terra de Rebecca (ou Ava, aquela grávida desfigurada do acidente do ferry-boat, se bem se lembram) mas, aparentemente, não teve coragem para falar com ela; Cristina e Meredith foram para o Havai passar a lua-de-mel que Cristina devia ter passado com Burke; Izzie, por sua vez, fica chocada ao saber que nenhuma das outras duas esteve com os namorados naquelas férias nem teve notícias deles, lamentando o facto de ter passado 17 dias sozinha, muito por culpa de George, que a anda a evitar.
Derek, sem Addison nem Burke, vê-se sozinho e sem ninguém com quem falar. Tenta, por isso, abordar Richard e Bailey, convidando-os para sair, mas ambos recusam, numa cena engraçada. Por falar neles os dois, convém lembrar do choque que foi, no final da terceira temporada, a nomeação de Callie para substituir Richard como Chefe, em vez de Bailey. Richard explica então a Bailey que ela é mais necessitada como cirurgiã do que a tratar de burocracia - uma explicação que, a mim, me satisfez.Cristina, que até então tinha mostrado poucos sinais de preocupação com o assunto, pergunta a Derek se sabe de Burke, ao que ele lhe responde que ele pediu a sua demissão há duas semanas atrás. Não é surpresa nenhuma a saída do actor - e da personagem, consecutivamente - da série, já que todos soubemos a polémica em que ele e T.R. Knight estiveram envolvidos. No segundo episódio, a partida de Burke foi abordada com mais profundidade, falarei disso quando lá chegar. Numa cena também ela caricata, Derek reconhece Lexie como sendo a “rapariga do bar” que ele vira num dos últimos episódios da terceira temporada. Meredith, também presente, logo protesta, dizendo-lhe que ela é que é a “rapariga do bar”. Deles falarei mais à frente, quando comentar uma das cenas finais, que diz respeito ao futuro da sua relação. Relativamente aos pacientes, foram três, resultado de um acidente provocado por um veado: um homem que chega aparentemente morto mas que, ma
is à frente acorda repentinamente, sendo-nos revelado que ele está decapitado interiormente e que será necessário que Derek volte a ligar a sua espinha; uma grávida que, tendo ficado sem braço, se vê aflita pois o bebé não terá pai… por consequência, Meredith é encarregada de encontrar o braço - mas digam-me, não tínhamos já visto algo parecido no brilhante episódio “Into You Like a Train”, da 2ª temporada, em que Cristina é obrigada a procurar uma perna amputada? Parece-me que sim. O terceiro paciente é o veado que causou o acidente. Sim, parece ridículo, mas até que puseram a coisa aceitável - Izzie e os seus estagiários, aborrecidos, são levados lá forma por um rapaz que diz que traz na carrinha do pai outra vítima. Quando lá chegam e vêem o veado, os estagiários riem-se mas Izzie, sem nada melhor para fazer, decide que vai ajudar o animal a sobreviver. E não é que consegue mesmo?
Quanto a George, esse escondeu o seu estatuto de repetente dos seus colegas estagiários e começa uma a membro, George é depois aplaudido por Lexie e pelos colegas, tornando-se assim uma “Rockstar” entre eles, como Callie previra no início do episódio. Por falar nela, Callie encontra-se descontente com o seu novo posto - os residentes não lhe obedecem como deveriam e o dia acaba por lhe correr mal. Numa das cenas finais, ela pede a Bailey que não tenha problemas em dizer quão má ela é como Chefe, ao que Bailey responde “Espero
que amanha seja melhor”. Uma cena muito interessante, esta, e que nos lembra que é por estes detalhes que “Grey’s Anatomy” é tão especial. mizade com Lexie. Tendo ajudado a grávida que perdeu o braço a dar à luz no momento em que estavam em cirurgia de reconstrução doQuanto a Meredith e Derek, têm uma cena lá para o fim em que ela lhe diz que não está preparada para assumir um compromisso. Ele compreende-a mas os dois logo decidem dar um beijo de despedida, que, por sua vez, se transforma em sexo de despedida. Enfim, e o pior ainda nem foi isto, mas falarei disso na análise ao episódio dois. O episódio acaba com George, que andou o episódio todo a evitar Izzie, a ir à casa dela e a dizer-lhe que a ama também, deixando em aberto o futuro do triângulo amoroso Izzie-George-Callie. Sinceramente, apesar de tudo, este episódio desiludiu-me: Cristina não continua muito diferente de como era antes de ser deixada no altar; George e Izzie, afinal, não terminaram e Meredith e Derek continuam como casal. Por isto tudo, somos levados a pensar se o título do episódio se refere à história em si ou à mudança de penteado de Derek. Nota: 7/10

ali à sua espera. Depois, a pedido de Bailey, vai trabalhar na clínica, onde encontra Lexie, a sua meia-irmã, que continua neste episódio a tentar falar com ela, mas, como vemos no diálogo que elas têm ao verem-se na clínica, Meredith não está muito contente com a possibilidade. Quanto a esta atitude de Meredith em relação à irmã, por um lado concordo - afinal de contas, o pai dela abandonou-a e à mãe para ficar com a família de Lexie. Porém, Lexie já se revelou uma personagem tão simpática que é difícil não gostarmos dela. O segundo a falar com Jane é George. Apesar dela não o reconhecer, ele diz-lhe que era muito amigo do filho dela e, quando ela lhe diz que não sabe o que dizer ao filho pois não sabe como ele se sente, George aconselha-a a dizer que ele se escapou da boa pois um casamento é algo muito complicado e, quando se entra, não se sai, mesmo que se queira. Ela apercebe-se então que ele fala de si, do seu caso, e diz-lhe que permanecer num casamento por obrigação não é maneira de viver, nem muito menos de amar. Derek encontra-se também com ela e, quando ela lhe pergunta se ele acha que a Cristina amava o Burke, ele diz-lhe que acha que ela o amava da melhor forma que conseguia. Ela pergunta-lhe então se isso, a seu ver, era suficiente, e ele diz-lhe que não, que para si não chegaria mas que, contrariamente ao Burke, talvez não tivesse força suficiente para terminar a relação. Ela diz-lhe então que ele, tal como o seu filho, é um homem honrado e que, por isso,
saberá sair de uma relação quando não está a receber aquilo que merece.Já Cristina só arranja coragem para ir falar com ela no final do dia. Jane diz-lhe que veio ali buscar a chave de casa para levar algumas coisas do filho e Cristina, que andou durante o episódio a negociar os presentes de noivado com colegas do hospital, pede-lhe que os leve consigo também. Jane diz-lhe que, além de ter perdido um homem que amava, ela perdeu também um professor, o que, no seu caso, talvez seja o mais grave pois, com Burke ao seu lado, ela teria sido uma grande cirurgiã. Cristina chega ainda a perguntar se Burke alguma vez vai regressar, nem que seja para se despedir, ao que Jane responde “Lembra-te que és uma mulher forte”. Com este encontro está, por assim dizer, encerrado o assunto e Cristina pode, de uma vez por todas, avançar com a sua vida. Finalmente…!Quanto aos pacientes deste episódio, tratam-se de um grupo de vítimas de uma explosão que ocorreu num prédio. Mais à frente descobre-se que a explosão foi provocada por um acidente num apartamento com um laboratório de metanfetaminas e as coisas complicam-se ainda mais quando o homem, confrontado com a verdade, decide raptar o seu filho bebé, temendo ser preso. Destaque para a cena em que o velho desabafa com Izzie, dizendo que a família dele, depois de 60 anos neste planeta, era um bando de traficantes de droga, ao que ela responde, também falando de si, “Só porque as pessoas fazem coisas horríveis, nem sempre quer dizer que são pessoas horríveis.” Bem, quanto a isto, depende: progressivamente, essas coisas más tornam-nos más pessoas, a meu ver. Por isso acho que a Izzie devia deixar de se iludir e de mentir a si própria. Destaque ainda para a cena em que Callie, procurando o bebé, fala com Mark no corredor, dizendo-lhe que suspeita que o seu marido esteja a ter um caso e que o seu dia como Chefe não podia estar a correr pior, com o bebé desaparecido, e ele a apoia. Mark, que chegou aqui como uma personagem odiada, está finalmente a transformar-se em alguém que desperta no público alguma simpatia. Falando agora de
George e Izzie… como sabem, no final do último episódio ele foi a casa dela dizer-lhe que a ama também. No início de “Love/Addiction”, eles estão lá em casa a falar e ele diz a Izzie que a coisa mais acertada a fazer é contar a Callie que o casamento está acabado. Mais tarde, ao ver que Callie está a ter bastantes problemas como Chefe, Izzie pede a George que espere um bocado, até que ela esteja melhor. Nem que seja um mês. Ele concorda, apesar de tudo, e eles decidem que é melhor afastarem-se, entretanto. Perto do final do episódio, contudo, George está determinado a contar a Callie mas ela, já suspeitando de tudo - devido ao comportamento estranhamente condescendente em relação a si revelado por Izzie numa cirurgia -, pede-lhe que não lhe conte, não naquele dia. Uma das melhores cenas do episódio, sinceramente, onde mais uma vez são estes pequenos detalhes que demonstram a qualidade da escrita. Ainda neste episódio, devo salientar a cena em que Bailey grita com Alex por causa do seu comportamento face ao pai - que rapta o bebé -, e depois ela a agradecer-lhe por ter podido fazer aquilo pois estava a precisar; Mark, por sua vez, está disposto a recuprar a amizade com Derek e, mesmo tendo ele recusado o seu convite, no episódio anterior, para irem beber um copo, neste episódio ele ouve-o falar de Meredith. Uma boa cena, também! A cena final é focada no casal Meredith e Derek. Para mim, redimiu os dois uma vez que, no início do episódio, eles acordam entrar num regime que não envolve conversar ou fazer qualquer coisa produtiva em conjunto, reduzindo assim todas as suas interacções a sexo e gozo. Eu fiquei muito desiludido pela forma como lidaram com o casal, colocando-os neste acordo que é do mais rídiculo que há - percebe-se, contudo,
que a culpa, por assim dizer, é de Meredith, que continua indecisa (!). Enfim, esta desculpa para os manter separados foi pouco convincente e o que valeu foi a cena final, na qual Mark diz a Meredith, a pedido de Derek - que, por sua vez, se pôs a reflectir no que Jane dissera e chegou à conclusão de que era melhor recuar na relação dele com Meredith pois não estava a receber dela o que merecia -, que ele não pôde vir ter com ela porque ainda está numa cirurgia. Convida-a para ir até ao Joe’s, convite que ela recusa, dizendo que vai para casa. É-nos mostrado que Derek esteve a observar aquela cena do cimo das escadas e, antes de Meredith sair, ele chama-a e os dois saem juntos. A meu ver, aquilo foi mais um teste da parte dele que outra coisa, por isso gostei bastante que ele a tivesse chamado. Agora veremos o que significa esta saída a dois.
Nota: 9/10. Este episódio teve de tudo: romance, drama, comédia. Os casos foram interessantes e a vinda de Jane Burke só beneficiou o episódio. Além disso, a cena final!

A “verdade” - ou a sua omissão - afecta, de uma maneira ou de outra, as personagens principais da série: Meredith, temendo magoar Cristina, omite-lhe o facto de se continuar a encontrar com Derek; George ainda não contou a verdade sobre a natureza da relação dele de Izzie a Callie, nem divulgou aos restantes estagiários que ele é um repetente; Lexie é levada a pensar, devido ao estranho comportamento de Meredith em relação a si, que ela a odeia não só a ela como ao seu pai e também à sua mãe, Susan, que morreu, como sabem, na recta final da temporada anterior.
Contudo, a “verdade” afecta também os pacientes que chegam ao hospital: Connie, uma mulher que adora falar,
depara com um cancro que implicará cortar 60% da sua língua, o que talvez faça com que ela nunca volte a falar em condições e a leva, a certa altura, numa cena bastante engraçada, a desabafar às duas melhores amigas aquilo que pensa delas: e as críticas voam, desde o mau-hálito de uma até ao péssimo gosto em moda de outra; Hunter, um adolescente, é levado pela mãe ao hospital pois ela pensa que ele anda a consumir drogas e a omitir-lhe esse facto - contudo, como é revelado mais à frente no episódio, depois de testes efectuados, ele dizia a verdade e o caso é mais grave do que aparentava; o The Really Old Guy, se bem se lembram dele da temporada passada - aquele velho onde o grupo costumava almoçar - e que estava em coma há cerca de um ano, acorda inesperadamente a meio da ronda de Izzie com os seus estagiários, dizendo que chegou o dia dele morrer, e acaba por revelar-se um poço de verdades e conselhos para Izzie.Mark e Richard, apesar de dizerem à mulher que há boas chances de ela voltar a falar, admitem que será bastante difícil que ela seja compreendida depois da operação e decidem tentar um novo procedimento que envolve ligar os nervos da perna - de onde seria retirada a pele para reconstruir a percentagem de língua removida - aos da língua e que, de tão novo que é, apenas foi experimentado numa dúzia de casos. Apesar de hesitantes, decidem avançar, mais para provar a George - e aos outros - que não são velhos demais para aprender novas técnicas. Escusado será dizer que a coisa não corre lá muito bem e, a meio da cirurgia, os
dois ficam sem saber e recorrem a Derek para os ajudar na parte dos nervos. Para sorte da paciente, ele lá consegue resolver a situação.Por falar nele, esteve muito bem neste episódio. E foi também muito requisitado: não só para esta cirurgia, para a qual foi chamado a meio, mas também quando o paciente de Alex, o adolescente Hunter, desfalece junto à cama e é necessário que se faça alguma coisa antes que ele morra. Além disso, é de salientar também a cena em que ele, após a cirurgia de Connie, chama a atenção aos colegas, dizendo-lhes que foi estúpido terem tentado um novo método sem os conhecimentos necessários pois podiam ter causado sérios danos na língua que tentavam reparar, e a cena em que ele e Mark falam, antes da cirurgia, sobre Meredith e sobre o facto de estarem a ficar velhos demais para os avanços na Medicina, que primou pelo humor. Como tinha referido no último episódio, a evolução de Mark tem sido positiva e neste episódio os momentos de amizade entre ele e Derek foram sublimes.
Como já devem ter reparado, um tema também abordado neste episódio foi a idade. Neste aspecto, devo referir a chegada
- infelizmente, temporária - de Norman, um homem nos seus cinquentas, antigo farmacêutico e agora… estagiário. Quem é que lhe calha como residente? Alex, que logo o tenta despachar para junto de Bailey, na clínica. Gostei da personagem, pelas confusões que provocou, e a cena em que Bailey, perto do final, diz a Alex que ele não deve ter em conta o facto de Norman ser mais velho no que toca a ensiná-lo a exercer Medicina pois é assim que se salvam vidas, foi também interessante de assistir.
Cristina revela a Izzie logo no início que já se apercebeu de que Meredith e Derek se andam a encontrar às escondidas e aproveita-se do facto de a amiga achá-la frágil demais para saber da verdade fingindo-se triste com o facto de Burke a ter deixado no altar. Claro que o seu interesse é a cirurgia de Connie, da qual Meredith prescinde, com pena dela, e propõe que Cristina vá para a cirurgia e que ela fique ali no Serviço de Urgência com os estagiários da amiga. Cristina aceita, claro, e Meredith vê-se obrigada a lidar com a sua meia-irmã, Lexie. Não por muito tempo, porém: uma ambulância chega trazendo um homem já morto mas Meredith incita, mesmo assim, a que Lexie efectue nele uma intubação. A outra, depois que sabe que o homem já estava morto e sentindo que deviam ter feito mais qualquer coisa, discute com Meredith dizendo-lhe que lhe devia ter contado, ao que ela responde que é assim que se ensina, a praticar, e que fizeram tudo pelo homem, dado que ele já estava morto há quase trinta minutos. Meredith, vendo que Lexie não está muito interessada em concordar, diz-lhe que, se quiser, pode ir para a clínica.
Lá, Lexie é mal-recebida por Bailey, que lhe diz que ali não é um sítio onde se despejam os estagiários indesejados e que volte para junto da irmã mas muda de ideias quando Lexie lhe suplica que a deixe ficar ali por hoje, já que não consegue olhar para Meredith, pois pensa que esta a odeia. Bailey lá aceita que ela se esconda na clínica. Quem se anda a esconder também é Callie pois, sem forças para lutar, encontra-se frustrada ao constatar que Bailey faz bem melhor o seu trabalho. Além disso, ela sabe também que George a anda a trair, e suspeita com quem. Por isso, passa o episódio todo num quarto a tratar da papelada. Quanto a isto tudo, destaco a cena em que Bailey lhe diz que, apesar de ressentida por Richard ter escolhido Callie em vez dela, juntas podem cooperar.
Quanto a ele, tivemos mais desenvolvimentos: Richard a princípio tinha marcado um jantar romântico com Adele mas - como sempre - devido à cirurgia de Connie, esquece-se.
Um dos grandes destaques do episódio foi mesmo a interacção entre Izzie e o The Really Old Guy que, afinal, se chama Charlie. As cenas deles foram bastante engraçadas, especialmente aquelas em que ele insiste que vai morrer. Além disso, os conselhos que ele lhe deu - dizendo que George, se quisesse mesmo deixar Callie, já o teria feito, e afins -, foram também bons e fizeram-na reflectir sobre o assunto e, mais tarde, confrontar George. Este, contudo, diz-lhe que acabará por contar a Callie a verdade, que só precisa de tempo.
No final, as verdades são reveladas: as amigas de Connie, após a cirurgia, decidem vingar-se e dizem-lhe também das boas acerca dos maridos que ela teve; Cristina e Meredith falam sobre Burke e Derek e Cristina diz-lhe que não precisa de se sentar a noite toda e chorar no ombro da amiga, que está a recuperar e que ela não precisa de lhe esconder a relação que mantém com o neurocirurgião; Alex, no elevador, vendo os outros estagiários elogiar George, acaba por revelar que ele é um repetente, recebendo olhares reprovadores de Norman e dos restantes - gostei muito da humildade com que George lhe respondeu, sim senhor!; Meredith decide contar a Lexie a verdade sobre a forma como a sua mãe foi tratada e George diz finalmente a Callie que dormiu com Izzie. Ah, de destacar ainda a cena em que os cinco fazem uma homenagem a Charlie, no seu quarto, e se despedem. Gostei muito!
Excelente episódio, este! Contribuiu com vários avanços na história e deixou-nos a querer ver o que se iria passar a seguir.
Nota: 9/10

Podia começar a análise deste episódio de forma pirosa, dizendo que a minha satisfação após o ver foi tanta como a quantidade de chuva que algumas cenas contiveram. Mas não, penso que dizer que este merece figurar no top 20 dos melhores episódios de “Anatomia” será suficiente para terem uma primeira ideia da minha opinião.
O episódio anterior acabou com um cliff-hanger, na cena em que George conta a Callie que dormira com Izzie. Este “The Heart Of The Matter” começa logo a seguir, mostrando-nos o casal no seu quarto - Callie, após várias horas ali, simplesmente diz a George que o perdoa pois, apesar de ele ter cometido um erro, eles estão casados e trocaram votos de casamento. Contudo, se com esta cena ficamos a pensar que o casal George e Izzie acabou, dado que Callie o perdoou e Izzie, no episódio anterior, parecia tremendamente arrependida pelo que fez, não podíamos estar mais enganados - e é a este triângulo amoroso que o título se refere.
Entretanto, Meredith, perto do elevador, recebe um convite de Derek para passar um fim-de-semana fora com ele. Apesar da sua hesitação (como vemos na seguinte fala: We didn’t go away when we were a couple. Now we’re not a couple, and not couples have no reason to go away together), ela lá aceita quando ele lhe
garante que terão 48 horas ininterruptas de sexo, dizendo que apenas precisa de encontrar alguém que a substitua no Sábado. E a quem recorre ela?
A Alex. Ela pede-lhe e ele apenas lhe diz que, em troca, ela fique com Norman durante aquele dia. Ela aceita e a primeira tarefa dos dois é dizer a um paciente que não podem fazer mais nada por ele. Meredith incentiva Norman a que ele tente explicar-lhe a situação mas tudo corre mal: tanto ele como a paciente acabam a chorar. Pensando que já resolveram a questão, os dois saem do quarto, mas mais tarde reparam que Norman tinha lido mal o número do quarto e que, por isso, disseram a uma pessoa que apenas vinha remover uns sinais que ia morrer. A mulher, entretanto, já saíra do hospital, o que agrava mais a situação e leva-os a ter de a procurar.
George, que andou numa correria pelo hospital à procura de Izzie, chega a tempo de presenciar a conversa entre ela e Callie, na qual a segunda lhe diz que precisam de falar pois o George lhe contou tudo. Marca até hora e local: na cantina, ao meio-dia. Numa cena bastante engraçada, os estagiários de Izzie começam a questionar sobre se Callie estava a pensar espancá-la e rapidamente todo o hospital começa a fazer apostas para o confronto que se avizinha. George, entretanto, conta a Izzie que Callie o perdoou, o que a faz ficar ainda mais confusa, pois pensa que Callie está a guardar a fúria para descarregar em cima dela ao almoço.
Já Lexie e Derek começam a formar uma ligação quando ambos partilham com Cristina um paciente - Adam, um adolescente que sofreu uma lesão durante o jogo de râguebi e que se faz acompanhar pelo pai que, pelo comportamento, mais parece o seu treinador - e ele fica espantado com a forma como Cristina trata os seus estagiários, tratando-os por números - como já comentei na análise ao primeiro episódio - e não estando propriamente interessada em ensinar.
Por várias vezes, ele chama Cristina à parte e diz-lhe que não é assim que se trata os estagiários, que eles estão ali para aprender e que merecem respeito. Ela, ao ver que ele e Lexie se estão a começar a entender - falando inclusivé de Meredith -, logo vai comentar com a amiga, que se mostra ligeiramente enciumada com a notícia.
Ruthie, uma mulher de 28 anos, aparece no hospital com um tornozelo esmagado, resultado do excesso de exercício que tem praticado ultimamente por incentivo do namorado, que lhe disse que se perdesse um x de peso, os dois começariam a viver juntos. Esta aposta logo choca Bailey, que comenta ironicamente dizendo How romantic, mas Ruthie logo clarifica que foi uma espécie de acordo mútuo - ela perdia peso e ele deixava de fumar, coisa que aconteceu. Callie explica que, para recuperar, Ruthie deverá passar a comer mais e a exercitar menos, mas recebe uma resposta mal-encarada do namorado dela, que apenas lhe diz para tratar da perna de Ruthie que foi para isso que ali vieram. Okay, é o que ela responde, mostrando que algo de errado se passa, para ela estar assim tão apática a tudo.
A quarta e última paciente é Camille, a sobrinha de Richard, que conhecemos nos episódios finais da 2ª temporada e para quem foi organizado o baile que teve lugar no 27º episódio, “Losing My Religion”. Ela chega com a mãe e a tia, Adele - e mulher de Richard, como sabem-, às urgências e Alex e Izzie, que falavam sobre Callie por todos estarem a fazer apostas em relação ao combate, são obrigados a agir rapidamente e a intubá-la para a ajudar a respirar. Richard é por fim chamado e diz-lhes que fizeram a coisa certa ao intubar a sobrinha, mas mostra-se um pouco chateado pois, segundo ele, mais uma complicação era o que a sobrinha menos precisava. Descobrimos depois que o motivo de ela estar ali é o agravamento do cancro, que agora se alastrou para os pulmões, peito e garganta. src=”http://img27.picoodle.com/img/img27/4/4/13/f_richardadelm_fa44b9a.jpg” alt=”" />Apesar de poderem operá-la e de Richard dizer à sobrinha que podem ser ainda mais agressivos com a quimioterapia, ela apenas diz - numa cena que eu pessoalmente adorei - que quer ir para casa, apenas, pois está cansada demais e quer passar o último tempo que lhe resta em com os amigos, a divertir-se. Lá fora, Adele pede a Richard que a convença a prosseguir o tratamento pois eles nunca tiveram filhos e agora estão prestes a perder a sobrinha.
Depois da intervenção em Camille, Izzie finalmente revela a Alex que o motivo por que Callie quer falar consigo é o facto de ela ter dormido com George. Alex diz-lhe que está até envergonhado por ela e vai-se embora, numa atitude que, como percebemos numa cena posterior, é fruto de ciúmes - na 3ª temporada, Izzie dissera-lhe que ainda não estava preparada pois ainda estava de luto por Denny, o paciente de quem Izzie ficara noiva, na 2ª, e que acabou por morrer no episódio do baile.
O hora de almoço finalmente chega e todos estão entusiasmados para ver o que se vai passar. Izzie, sentada à mesa com Meredith, Alex e Cristina, começa a preparar-se para o suposto combate, aquecendo os músculos e dizendo que pode muito bem com Callie pois aprendeu a lutar no parque de caravanas onde passou a infância, enquanto que Callie devia ter aprendido no colégio interno. Esta cena, sinceramente, nem sei que dizer. A atitude de Izzie foi altamente reprovável, a expôr-se assim ao ridículo…! É então que Callie aparece e, sob os olhos de todos à volta, Izzie descalça-se e tira os brincos, pondo-se depois em posição de combate. Alex e Cristina dão as suas sugestões - ele diz-lhe que esteja atento à cara, Cristina diz-lhe que não se preocupe com a cara, que não deve é estragar as mãos, pormenor que me fez rir - e Callie, aproximando-se, revela-se surpreendida quando Izzie lhe diz para começarem o combate. Callie, com classe, revela que apenas queria falar com ela e, decepcionada, sai. Adorei a reacção da Callie, com muita classe e dignidade. Bastante superior à Izzie que, entretanto, toma consciência da sua figura ridícula e se deixa cair na cadeira, também ela estupefacta com o seu comportamento. George lá aparece e pergunta a Alex se realmente houve um confronto, ao que ele responde que não, que se calhar elas se aperceberam de que estavam a lutar por coisa nenhuma.
Talvez resultado das conversas que teve com Derek, Lexie, a certa altura, impõe-se a Cristina quando ela a trata novamente por “Três” antes de lhe dar uma ordem, na fala que passo a citar: It’s Lexie, or Grey. It’s not three. I have a name.; gostei muito desta cena, a Cristina estava a merecer. Lexie revelou-se uma personagem muito simpática e por quem podemos torcer, ao contrário do que poderia acontecer caso os escritores fizessem dela a “meia-irmã má que ficou com o pai que abandonou Meredith”.
Contudo, perto do final do episódio, Lexie agradece a Cristina por ela a ter ajudado na cirurgia a Adam e ela volta a chamar-lhe “Três”. Lexie lá se conforma.
Ruthie é levada de urgência para o Bloco Operatório pois começa a vomitar sangue no momento em que Bailey e Callie estão a explicar ao seu namorado o tempo que ela precisará, depois da operação, para recuperar - cerca de 3 meses. É-nos revelado depois que ela tinha uma úlcera e que estava a sangrar internamente. Ruthie acaba por morrer na operação e Callie vai procurar o namorado, encontrando-o fora do hospital a fumar. Depois de lhe perguntar se ele não tinha prometido a Ruthie que deixaria de fumar e de ouvir de o ouvir dizer secamente que ela compreenderá, ela diz-lhe finalmente que ela morreu da operação.
Ele protesta, ao que ela responde: She was healthy 20 pounds ago. You just wanted her to be hot, especially if you we gonna move in with her, right?. Depois de ele lhe dizer que a amava mesmo, ela responde, falando implicitamente do seu caso: You didn’t love her. You just didn’t want to be alone or maybe, maybe she was good for your ego or…or maybe she made you feel better about your miserable life, but you didn’t love her because you don’t destroy the person that you love!
George e Bailey acabam por chegar lá e separam-nos. George leva-o para dentro e Bailey volta a perguntar a Callie se está tudo bem, ao que ela responde que sim, que não foi nada. Bailey apenas diz: Really? ‘Cause nothing almost cost you your career just now.
Callie acaba por esbarrar com Izzie no corredor e tem uma oportunidade para falar com ela. Contudo, é a outra que insiste, dizendo que se sente terrivelmente e pedindo perdão. Porém, Callie não parece disposta a isso e responde de uma forma, a meu ver, demasiado dura mas necessária: You feel terrible? You took advantage. He was your best friend. I tried to trust you…so much, I had convinced myself that it was all in my head, that I was crazy. But I wasn’t, was I? And then you pull that thing in the cafeteria today? It’s not bad enough that you humiliate me by getting in bed with my husband. You have to humiliate me at work, too. George might be the one that broke his vows, but you…we’re women, Izzie. You did this to another woman. You…took something from me. You stole something from me like a petty little thief. You are the one who should be humiliated. You are the one who should be ashamed. You are the one who should… don’t you dare come to me for forgiveness, you traitorous bitch. E com isto apercebemo-nos de que esta história está ainda longe de acabar.
Apesar dos esforços de Richard, que lhe propõe um programa de tratamento que envolve 3 continentes, Camille não muda de opinião e pede-lhe que, como tio que a adora, a compreenda e que aceite o facto de ela querer simplesmente ir para casa. Quanto à paciente a quem Meredith e Norman deram o diagnóstico errado, é finalmente encontrada por Norman. Ela chega ao hospital, dizendo que se despediu, que largou o abandonado e que deixou o apartamento em que vivia, tendo comprado um bilhete de avião para umas férias na Islândia, radiante. Escusado será dizer que, quando sabe da verdade, não fica assim tão contente… queixando-se do quão dificílimo é, nos dias de hoje, encontrar um apartamento com parque de estacionamento.
Meredith, perto do final do episódio, volta a encontrar Derek no elevador e diz-lhe que conseguiu que Alex a substitua e que os dois podem então ir passar o fim-de-semana fora. Este, contudo, tenta desmarcar e Meredith, pensando que ele o faz devido a alguma coisa que Lexie lhe tenha contado sobre ela, confronta-o. Ele diz-lhe que falou com “a outra Grey” o que “esta” não o deixa dizer, ao qu
e Meredith responde que ele lhe pode dizer tudo. Ele remata então um discurso que certamente deixou todas as quarentonas fãs da série histéricas: I want to marry you. I want to have kids with you. I want to build us a house. I want to settle down and grow old with you. I want to die when I’m 110 years old in your arms. I don’t want 48 uninterrupted hours. I want a lifetime.
Hesitante, Meredith apenas responde que não está preparada. Derek diz-lhe que vai esperar por ela, mas que não lhe garante que as não mudem caso, enquanto espera por ela, ele encontre outra pessoa. Hum… prevejo triângulo amoroso, vocês não? Não liguem, isto são já resultados dos spoilers que li acidentalmente por aí…!
Izzie passa a noite no quarto a chorar, arrependida. Alex, por sua vez, ainda ressentido, apenas consegue ir ao quarto dela e oferecer-lhe uma caixa de lenços.
Na cena final, George encontra Callie fora do hospital, à chuva, e diz-lhe que ela não pode simplesmente perdoá-lo, que o que ele lhe fez é imperdoável. Ela concorda e diz-lhe que, realmente, não o pode perdoar.
Destaque para a narração de Meredith, que esteve óptima… especialmente a última fala:
When someone wrongs us, we want to be right. Without forgiveness, old scores are never settled…old wounds never heal. And the most we can hope for is that one day we’ll be lucky enough to forget.
Nota: 9.5/10 - Este episódio foi essencial para os episódios seguintes. Vários acontecimentos que tiveram lugar influenciaram o decurso da história.
5- “Haunt You Everyday”

Não, não se precipitem ao ver a imagem acima, não foi o Circo que chegou ao Seattle Grace. É Halloween! Contudo, não pensem que os nossos médicos decidiram vestir-se a seu bel-prazer: apenas Lexie, na cena acima, e por uma partida de Cristina. E essa cena, tal como outras que vou comentar seguidamente, forma uma perfeita ligação com o título do episódio, “Haunt You Everyday”, pois, como comentei na análise ao episódio número 4, Cristina não poupa Lexie às suas demonstrações de egoísmo e desrespeito pelo facto de ela ser quem é. Uma atitude repreensível e à qual a meia-irmã de Meredith respondeu, em vão, também no 4º episódio da temporada.
Por falar em Meredith, uma das cenas finais do episódio anterior revelou-se bastante importante: aquela em que Derek diz que não sabe o que fará caso encontre alguém enquanto espera por ela. Neste “Haunt You Everyday”, ainda não a encontramos a meditar devidamente sobre o assunto - isso acontecerá no sexo episódio, “Kung Fu Fighting”, facto que merecerá, na altura certa, os meus comentários -, vemo-la a carregar consigo de um lado para o outro as cinzas da mãe - que, sabem, morreu no episódio “Some Kind of Miracle”, da terceira temporada - tentando descobrir o melhor destino a dar-lhes. Esta atitude dela, que proporcionou cenas bastante engraçadas, foi também essencial para o crescimento da personagem pois ela revela-se agora apta a confrontar e a lidar com os seus problemas, em vez de os ignorar ou adiar, como fazia anteriormente.
Cristina, por sua vez, decide procurar um colega de quarto - apesar de, a início, pensar se ela não estava a colocar a casa
à disposição de quem quisesse ficar com ela. Mal afixa o panfleto, aparece-lhe Richard que, informando-a de que Adele tem os papéis de divórcio prontos, precisa de algum sítio para ficar. Ela aceita-o de imediato, contudo, mais à frente, decide voltar atrás na sua decisão quando se apercebe de que ele contratara Erica Hahn - a cardiologista que encontrámos na 2ª temporada, no story-arc que envolveu a procura do coração de Denny, e também na 3ª, brevemente - para ingressar no Hospital. Este regresso comentarei mais à frente, quando a sua vinda ao Hospital estiver devidamente contextualizada.
Também no episódio anterior ficámos com a sensação de que Izzie e George terminariam o seu relacionamento. Contudo, Callie não se mostra preocupada ocultar o que lhe fizeram - e, se até este episódio, apenas Alex e os respectivos intervenientes tinham conhecimento do que realmente se passara, todas as dúvidas foram dissipadas quando, no início, enquanto ela e Bailey davam instruções sobre como agir aos residentes, ela clarificou que Izzie seria a única a procurar ajuda, caso a necessitasse, em Bailey pois tinha andado a dormir com o seu marido. Numa cena posterior, durante o almoço na cantina, George e Izzie revelam a Meredith e Cristina - uma, céptica, outra extremamente reprovadora da atitude dos colegas - que estão à espera para ficar juntos, por respeito por Callie - resposta que faz Cristina sair da mesa de imediato. Bem, quanto a mim, sinceramente preferia que eles tivessem acabado!
O principal paciente deste episódio é Ryan, um rapaz filho de uma mulher que trabalha na cantina que, aparentemente, não tem orelhas - mas, como nos é revelado mais tarde, só não tem estrutura exterior - e que chega precisamente no momento em que Meredith esbarra com Derek no corredor e deixa cair no chão as cinzas da mãe, numa cena bastante cómica. Ele pede que o levem ao Dr. Mark Sloan e quem o faz, ainda desconhecendo o motivo, é Derek, logo aproveitando para pregar uma partida a Mark: quando o abordam, o rapaz aproxima-se dele e diz-lhe “Papá?”, assustando Mark, que por momentos cai na partida e que apenas descansa ao ver o amigo dar uma nota ao rapaz, como recompensa. I’ll be getting you back for that, responde ele ao ver Derek afastar-se, prometendo, portanto, vingança.
Depois de analisar o caso do miúdo, Mark diz-lhe a ele e a Meredith que gostaria de ajudar numa cirurgia pro bono, mas que seriam precisos médicos, enfermeiras, enfim, coisas das quais ele não dispõe. Meredith promete então a Ryan que o vai ajudar e os dois unem-se para convencer, primeiramente, Richard, que concorda em providenciar um Bloco Operatório onde se realizará a operação, e depois Bailey, que aceita entrar na cirurgia e convencer o resto do pessoal necessário a entrar também, numa cena engraçadíssima, especialmente no momento em que ela, ao ver o rapaz dizer “Doçura ou Travessura?”, se choca por ele andar a fazê-lo para ter umas orelhas novas. Semelhante àquilo que vimos acontecer com Norman no episódio anterior, aqui encontramos uma boa interacção entre Meredith e o paciente, vista em cenas como quando eles vêem Sydney - sabem, aquela cirurgiã meia louca que vai aparecendo na série e que substituiu Bailey por um episódio na 2ª temporada, o 15º, aquele da greve? - a conversar com Derek, que passo a citar:
Meredith: You think she’s pretty?
Ryan: Yeah, I like cheerful people.
Meredith: I can be cheerful.
Ryan: I think the ashes thing makes that kinda unlikely.
Por fim, Ryan consegue ser operado, com sucesso. Outro paciente é James, um homem que chega ao hospital a pedir que lhe amputem um dos pés pois não sente que faça parte do seu corpo. Bailey, incrédula, receita-lhe uns comprimidos, garantindo-lhe que ele não a convencerá nem a ela nem a qualquer cirurgião a amputar-lhe um pé perfeitamente saudável. Contudo, as coisas complicam-se quando James, às escondidas, rouba uma serra eléctrica que um paciente trazia consigo e… tenta, em plena clínica, amputar o próprio pé, causando alvoroço entre quem assiste à cena. Eu ri-me quando vi, mas também estava em choque, foi engraçada, principalmente o comentário do paciente a quem foi roubada a serra, Sick!, num tom que mais tinha de contemplativo do que de reprovador. Callie analisa o pé e diz que será mesmo necessária uma amputação, notícia que James recebe com grande satisfação pois, segundo ele, estava continuamente a ser atormentado por aquele pé que rejeitava como seu.
Prossigo agora à explicação do porquê de Erica Hahn estar no Hospital. A sua vinda tem como objectivo a operação de Jack, um idoso que necessita de um transplante de coração. Contudo, também ela fica surpresa quando Richard lhe diz que ainda estão à espera que ele aceite receber o orgão, alegando que nunca ouviu uma coisa daquele género. A verdade
é que o doador do orgão é, nada mais, nada menos, que a filha do homem, Erin, que vemos - vestida de rato - a falar com Lexie no início do episódio. Erin é levada de emergência para o hospital pois está gravemente ferida, resultado de uma brincadeira de Halloween, e apenas continua viva através das máquinas que a apoiam. Depois de várias tentativas, sem sucesso, em convencer Jack a aceitar o coração da filha, que alega que tê-lo a bater no seu peito seria algo que o atormentaria para o resto da vida, é então que George o consegue com discurso que passo a citar: Mr. Shandley… I don’t have kids, so I don’t know what it’s like to lose a child, but I do know what it’s like to lose a parent. Your daughter loved you. I saw her this morning. She was fighting for you. She was fighting for your life. You’re her dad. You’re her dad. She didn’t want to leave you. I know that. I also know that she would want you to have her heart. I would’ve given my dad my heart if I could. If I could’ve saved him…I would’ve given him my heart. Extremamente bem-escrita, esta fala foi poderosa e mostrou-nos um lado mais humano de George. Sinceramente, depois do adultério, ele bem precisava de uma cena assim para reconquistar - ou começar a fazê-lo - os espectadores.
Cristina, claro, tenta disputar o paciente com Izzie, esperando entrar numa cirurgia de transplante de coração. E, para tal, vai logo ter com Hahn, dizendo que gostava bastante de entrar na operação; Hahn, contudo, responde-lhe que ela agradece, mas que apenas sai com homens e que, por isso, acha difícil que Cristina a surpreenda da mesma forma que surpreendeu os seus mentores precedentes. Cristina tenta desculpar-se para participar, mas ela apenas lhe responde: My theory is if you had the chops in the OR you wouldn’t need to try to impress in the bedroom, escolhendo assim Izzie para a ajudar na operação. Pessoalmente, adorei esta intervenção da Hahn - não gostei nada da forma como Cristina reagiu face a Izzie e George na cantina, pelo que, apesar de Hahn não estar completamente certa no que diz, foi bom ver Cristina receber um “não”.
Outro regresso à série é Ava/Rebecca, aquela que referi na análise ao primeiro episódio, se bem se recordam. Pois bem, ela chega da seguinte forma: Alex é informado de que tem alguém na co
rtina três à sua espera e, chegando lá, encontra-a - mais bonita do que antes, obviamente. Ela logo faz o seguinte discurso, de que eu até gostei: All the moms in my town, they all dress up for Halloween. So I was thinking, what would I want to be if…if I had to dress up or what I…and the only thing I could come up with, the only thing that I wanted to be…was Ava. Depois disto, eles beijam-se e fazem sexo - num local mais reservado, claro. Não gostando particularmente da personagem - ela é casada, tem filhos e vem para ali ter sexo com outro homem? -, até me agradou a forma como ela apareceu. Contudo, se era para apenas ter sexo com Alex e dizer “temos que falar” mas ir-se embora antes de o fazer, para quê trazerem a personagem de volta? Parece-me a mim que haverá novos desenvolvimentos neste par amoroso, e espero bem que haja, pois não vejo outro motivo que explique o facto de ela ter deixado a Alex, em jeito de recordação, a camisola que trazia vestida.
Mark, por fim, arranja uma forma de se vingar da partida do amigo. Derek estranha o facto de, à medida que anda pelos corredores do Hospital, todas as mulheres lhe lancem olhares e comentem entre si. Estranha ainda mais o facto de Sydney meter conversa com ele mais que uma vez, apresentando-se oficialmente, fazendo piadas, claro, sempre muito sorridente, como é típico dela. Só depois se apercebe de que aquilo foi tudo um esquema de Mark, que andou a espalhar pelo Hospital que o amigo andava “à procura”. Apesar de ser mentira, Derek, numa cena mais à frente, revela a Richard que precisa de voltar a sair, a namorar, mostrando o seu crescente descontentamento com a relação que vai mantendo com Meredith. Mark, que partilhou com ele algumas das cenas mais engraçadas do episódio, viu as enfermeiras - entre elas, Olivia - voltarem-se contra ele e formando até um Clube, pois estão cansadas de que ele se atire a elas (ainda por cima utilizando os mesmos métodos para umas e outras).
Durante a cirurgia de James, Cristina e Callie começam a comentar a sua má sorte no campo amoroso ultimamente e a troçar da situação, uma comentando que o Burke nem coragem teve para se despedir dela, outra comentando que vai ser, em breve, divorciada. Enquanto se riem das constatações de uma e de outra, Norman, que se queixara anteriormente a Alex de que se sentia mal e que, se calhar seria melhor ir para casa, desmaia em plena operação. É-nos depois revelado, quando Alex é chamado por Derek, que Norman teve um AVC quase fatal. E pronto, esta foi a forma de “despacharem” a personagem - e a última fala dela é precisamente aquela em que diz a Alex que vai tentar carreira como psicólogo. Não devia, pergunto eu, começar a pensar em reformar-se? É que, com três décadas a trabalhar como farmacêutico, acho que lhe deve render uma boa reforma, mas enfim… Vou ter saudades da personagem pois, apesar de apenas ter participado em três episódios, foi interessante o facto de ver alguém já perto da terceira idade a desempenhar o mesmo cargo que alguém bastante mais novo e também foram bastante engraçadas as confusões em que ele se metia!
Destaque ainda para a cena das escadas, em que Izzie pede a Cristina que compreenda a sua situação, que aceite quando ela diz que está arrependida de ter magoado Callie, que não a julgue daquela forma pois também ela apoiou Meredith quando esta andava com um homem casado. Cristina mostra-se desinteressada, mas Izzie logo a chama à razão quando lhe diz que, caso tivesse sido interpelada por Hahn, lhe teria dito que Cristina não tinha dormido com Burke para subir na carreira, que a teria defendido. Gostei de ver, é por estas e por outras que gosto de Izzie.
Após a cirurgia bem-sucedida a Jack, Hahn é abordada por Cristina, que lhe diz que não dormiu com Burke para ter a vida facilitada, mas que se sentia atraída por um talento que lhe lembrava o seu. Contudo, ela fica a saber aqui que Hahn foi contratada por Richard e ela logo se arrepende de ter dito a Hahn que achou a sua atitude inapropriada e pouco profissional pois vê agora a sua carreira em Cardiologia bastante dificultada. This is gonna be so much fun, comenta Hahn, e eu ri-me.
Devo dizer que, como a maioria dos fãs, não gostei dela na 2ª temporada mas ela esteve absolutamente sensacional neste episódio! Sempre com uma resposta preparada, foi bastante interessante ver as cenas em que participou e acho que a série só fica a ganhar com a sua presença, daqui para a frente assegurada em todos os episódios.
Uma das melhores cenas do episódio foi mesmo aquela em que George e Bailey falam lá fora, perto de um banco, sobre o casamento dele e de Callie. Gostei bastante de ver o lado mais humano de Bailey ao longo de toda a conversa, ao compreender o arrependimento dele, particularmente na fala que passo a citar - O’Malley…look, you’re not a bad guy. And I don’t mean to let you off the hook entirely, because what you did was unkind and hurtful and wrong. But you’re not a bad guy. I’m…I’m just saying, it…it takes two. To reach the point you reached in your marriage, it takes two. I mean…I mean, I’m here late at night, Halloween, helping an earless boy get ears, and my husband wants to act like that isn’t an important thing. He wants to act like…it isn’t a good thing that I did today. Now that isn’t just on me. That’s him wanting things to be the way he wants. That’s him wanting things to be purely black-and-white. I mean, I missed my son’s first Halloween, and my heart is aching inside of my chest, but, you know, that doesn’t mean anything. It…it doesn’t count because in a black-and-white world, I simply didn’t make it home, and that makes me the bad guy. You know, always. I’m always the bad guy. You hear what I’m saying? - e na que lhe seguiu: Look, what I’m saying to you is…okay, I was there. All right? I was there the day your father died. I was there when you came back from Vegas, married after a week and…all I’m saying is…it’s not black-and-white…and you’re not a bad guy. Esta cena, além de nos fazer olhar para tudo o que se passou através de um outro prisma, foi bastante bem-escrita. Contudo, atenção: quando George chega, ela está ao telemóvel a discutir com Tucker, o seu marido, por ter ficado até mais tarde para ajudar Ryan na cirurgia. Ou estou muito enganado ou vem aí drama para este casamento…!
Por fim, resultado da sua aproximação com Callie ao longo do episódio, Cristina decide aceitá-la para ir viver lá a casa. E a cena em que ela lhe mostra o apartamento é bastante engraçada, especialmente quando Callie, ao ver a bagunça ali, lhe pergunta se se importa que ela dê uma arrumação e ela responde “Sim, importo-me muito”.
Izzie e George encontram-se perto de um banco de jardim fora do hospital e têm uma cena bastante curta na qual eles se mostram satisfeitos por terem conseguido sobreviver àquele dia - como casal, lá está. Por algum motivo, contudo, a química entre os dois não foi transposta com grande sucesso para o ecrã, o que é uma pena… ou, se calhar, é sinal de que existe muito pouca.
Meredith, perto do final, recebe um importante conselho de alguém inesperado: Lexie. Lexie, sabendo do dilema dela perante o que fazer com as cinzas da mãe, relata-lhe a sua experiência aquando da morte da sua mãe, tentando ajudá-la da melhor forma. Gostei de ver esta aproximação entre as duas irmãs, sinceramente - graças a Deus que os escritores resolveram optar por uma história deste tipo e não por uma em que Lexie fosse apresentada como a má da fita em todas as cenas em que aparecia! Ouvindo também o que Ryan fez ao seu peixe quando ele morreu, Meredith decide deitar as cinzas da sua mãe na pia, perto da sala de cirurgia, pois sabe que era lá que ela estava realmente bem. Recebe a ajuda de Richard, que faz com ela uma espécie de última cerimónia à personagem, a qual encerra com a fala Ashes to ashes. Dust to dust.
Nota: 8.5/10 - no geral, um bastante bom episódio, mas que teve algumas falhas, como a saída de Norman e o regresso - e partida - precipitados de Rebecca. O episódio que lhe seguiu foi, a par de “The Heart Of The Matter”, o melhor dos seis episódios iniciais.
6- “Kung Fu Fighting”

Meredith passa o episódio a fazer uma espécie de terapia com Cristina, que, auxiliada por livros de Psicologia, logo lhe apresenta o seu diagnóstico (que não deve ser novidade para muita gente) - Meredith sofre de graves problemas de abandono (derivados, como devem saber, do pai, da mãe, da descoberta de que Derek era casado, no final da 1ª temporada) e esse será o presumível entrave à relação dela com Derek. Meredith chega mesmo a admitir: The more avaiable he gets, the more I pull him away.
Richard, por sua vez, decidiu ir morar numa roulotte ao lado da de Derek, no terreno do segundo. Mas logo se mostra enfadado por ter de comer novamente truta ao pequeno-almoço, pelo que diz a Derek que e
les precisam de fazer algo… sugerindo organizar uma “Noite de Cavalheiros” para o final do dia. Derek alinha, mesmo não sabendo ele do que se trata, e convida também Mark. Ambos começam a indagar sobre o que será essa tal “Noite de Cavalheiros” - Mark pensa que envolve strippers, logicamente -, gerando cenas muito engraçadas, como aquela em que perguntam a Bailey ou a Erica Hahn - se não se importarem, vou começar a, contrariamente ao que fiz na análise ao “Haunt You Everyday”, tratá-la por Erica, e não pelo apelido - se sabem em que consiste uma noite desse tipo, ao que Erica chega mesmo a perguntar se Mark e Derek são, na verdade, um casal, coisa que me fez rir muito.Por falar em Erica… ela é apresentada por Richard a Mark e a Derek no início do episódio, e logo eles a desagradam dizendo-lhe Oh, you’re the new Burke, visto que a especialidade dela é Cardiologia. Erica tem entre mãos o caso de Arnold, que, como disse, era para fazer uma cirurgia ao coração mas, enquanto ela e Izzie estão a inserir o cateter, apercebem-se de que ele é alérgico à anestesia e, por isso, não poderão realizar a operação necessária - que duraria umas 5 ou 6 horas.
Cristina, tendo ficado com o caso de Rick, o pára-quedista, tenta fazer inveja a Izzie, pedindo-lhe para trocar de pacientes, alegando que Cristina é casada com Cardiologia e que Izzie está apenas a namoriscar com ela, que não é dura suficiente para aquela área. Izzie responde-lhe que deveria ter utilizado outra táctica que não fazer ataques à sua vida pessoal para a convencer a trocar de pacientes e continua no caso.
Callie é forçada a ter de conviver com George pois Jackie, a loira que participa no concurso, tem um ombro deslocado. Mark, vendo-a desagradada com a ideia, logo lhe diz que, sendo George um estagiário dele, o pode torturar - e a forma que ele arranja de o fazer é elegê-lo como substituto de Jackie quando eles precisam de a levar para tratar do seu ombro, o que faz com que George passe o resto do episódio agarrado ao vestido, sendo humilhado pelos acompanhantes das concorrentes e colegas de trabalho,
especialmente Alex e Cristina, esta última que chega mesmo a dizer A monkey can hold a dress, quando George garante que não é tão fácil quanto parece.
Alex encontra Lexie refugiada num armário a tratar de gráficos enquanto vai buscar uma tala para Jackie, antes de a examinarem. Ela diz-lhe que está lá porque está farta de ser humilhada por Cristina e ele diz-lhe que todos os anos há um elo mais fraco entre os estagiários e que ela, se continuar com aquela postura, será esse mesmo elo, e convida-a a vir ajudá-lo com Jackie. Enquanto Callie e ele a examinam, descobrem que ela vai precisar de cirurgia para reparar os danos - algo que ela recusa, inicialmente, dizendo que precisa de ganhar o concurso e que pode fazer a cirurgia depois. Lexie, contudo, diz-lhe que vai precisar de um bom véu e vestido para disfarçar o efeito de coluna que aquele braço deslocado lhe vai proporcionar, convencendo-a de imediato a ser operada.
Cristina, enfadada após descobrirem que Rick, apesar da queda de tais proporções, apenas precisa, miraculosamente, de uma apendicectomia, decide ver o vídeo que ele gravou durante a queda e logo se lhe juntam Meredith, Alex e Izzie. Ao verem-no, descobrem que Rick está apaixonado por Sally, a treinadora dele, já que, enquanto está a cair, ele diz estar arrependido de nunca lho ter dito. Alex, como sempre, goza logo, mas Meredith, tendo-se identificado bastante com a situação dele - visto ela ter passado por uma semelhante, quando, na 3ª temporada, quase morreu afogada - decide agir e confronta-o, dizendo-lhe que a sensação de que se pode fazer qualquer coisa vai desaparecer e que ele devia aproveitar para dizer a Sally o que lhe sente antes que isso aconteça.
Izzie, no início do episódio, diz a George que eles foram respeitadores o suficiente e que ela, agora, precisa que façam sexo. Os dois concordam então que a sua primeira vez oficial será à noite. Ri-me muito nesta cena, especialmente quando ela diz que vai depilar-se pois perfect and hot sex requires shaved legs. Depois de ela e Erica dizerem a Arnold que, sendo ele alérgico à anestesia, não vão poder operá-lo, Izzie fica bastante tocada quando ele lhe diz que gostaria muito de ter visto o pica-pau-bico-de-marfim, espécie rara de ave, mas sente-se impotente por não poder fazer nada. Tudo isso muda quando Cristina, continuando a terapia com Meredith, descobre um novo procedimento que consiste em paralisar o corpo do paciente, apenas do pescoço para baixo, ficando o paciente acordado durante a operação.
Propõe-no a a Erica, que aceita e decide avançar com a cirurgia, mas mesmo assim escolhe Izzie, que, indignada, diz que foi Cristina quem descobriu a solução para o problema, que devia ser ela a operar. Erica, contudo, mostra-se inflexível e diz-lhe que opte entre operar e observar da galeria e Izzie, tendo-se já ligado muito ao paciente, escolhe operar. Gostei muito desta cena, especialmente o facto de Izzie ter defendido Cristina, mesmo ela tendo reprovado a sua relação com George.
Arnold, mesmo hesitante, é convencido por Izzie a ser operado, pois só assim poderá ver o tal pássaro. Uma das cenas que me fez aplaudir, durante o episódio, foi quando Izzie se colocou no lugar do paciente, deitando-se na maca do Bloco Operatório onde a cirurgia de Arnold iria decorrer, enquanto pensava numa forma de lhe proporcionar uma experiência menos desagradável, já que a cirurgia vai demorar ainda algumas horas - e ele vai estar ali acordado.
Richard chama Erica ao seu gabinete quando descobre que ela vai fazer uma cirurgia enquanto o paciente está acordado e pergunta-lhe por que motivo não foi avisado. Ela pergunta-lhe se Burke o informava de todas as decisões que tomava, ou se Mark e Derek o fazem e ele tenta fugir à questão. Ela, tendo tomado conhecimento dos planos dele em organizar a tal “Noite de Cavalheiros”, acusa-o de sexismo pois o facto de ele organizar uma coisa daquelas e apenas convidar homens é o mesmo que faziam os executivos quando planeavam viagens e se “esqueciam” de convidar os funcionários pretos. Mais uma vez, uma cena em que ela esteve excelente, não se deixando intimidar pelo facto de Richard ser seu superior.
Helena, a outra concorrente com quem George ficou a competir, explica-lhe que apenas está naquele concurso porque o sonho da mãe dela é o seu casamento, e, por isso, tem-se endividado bastante com os preparativos. Cansada demais, ela acaba por desmaiar enquanto conversa com ele e George, para amparar, larga primeiro o vestido. Ela acaba, por isso, por ganhar. Quem não fica muito contente é Jackie, que, assim que acorda da cirurgia ao braço, se mostra apenas interessada em saber se já ganhou. Callie, revoltada, diz-lhe que a outra concorrente quase morreu enquanto segurava o vestido e que ela arriscou-se a ganhar danos permanentes no braço por causa de um estúpido concurso, quando deviam estar mais preocupadas em lutar por um casamento que, mesmo assim, é muitas vezes uma causa perdida.
Destaque ainda para a cena posterior em que Callie, encontrando-se com George no corredor, lhe diz que está a recuperar, que tem de recuperar, mostrando que, mesmo assim, conseguiu sair com classe da situação.
Durante a cirurgia de Rick, Meredith diz a Bailey que compreende a situação dele - Bailey, por sua vez, teve pouco destaque neste episódio, pelo que nada mais foi adiantado na storyline dela com o marido. Durante a cirurgia de Arnold, que fica bastante assustado com o som da serra eléctrica, Izzie coloca-lhe uns auriculares nos ouvidos e põe uma foto do pássaro ao seu lado. Ele, a certa altura, começa a entrar em desespero e ela diz-lhe que se concentre nas pessoas que estão na galeria e que, imaginando-as como sendo pássaros, as descreva. Gostei muito desta cena pois teve muito a ver com a personagem. Foi enternecedora a forma como ela lidou com a situação.
Derek, enquanto observa a cirurgia de Arnold da galeria, diz a Cristina que, por mais que queira, não pode cuidar de Meredith pois ela não a deixa - revelando, assim, o descontentamento que já vem a sentir desde o quarto episódio (e, provavelmente, antes). Meredith, por sua vez, apenas ganha forças para falar um pouco com ele da vez em que ele a salvou do afogamento e para admitir a Cristina que ela tem de fazer algo em relação a ele, no final do episódio. Bem, apesar de ser óbvio o que ela lhe diz, acho que foi essencial a evolução da personagem nos últimos episódios, já que, citando Cristina, ela ter noção dos seus problemas não é a mesma coisa que ultrapassá-los.
Apesar do episódio ter sido, no todo, excelente, a minha parte favorita foi mesmo o conjunto de cenas finais: Lexie, fora do hospital, convida Alex a sair com ela, ao que ele responde que está apaixonado por outra pessoa e que, não sendo ele indivíduo de compromissos, apenas lhe poderia dar sexo, coisa que para raparigas como ela nunca é suficiente; Izzie, antes de fazer sexo com George, começa a chorar, dizendo que está tão cansada da cirurgia de Arnold que não conseguiria aproveitar a primeira noite oficial deles - ele concorda, dizendo que também lhe doem bastante as mãos, mas aquilo que foi mais engraçado é quando ele se apercebe de que ela estava tão cansada que só conseguiu depilar uma perna; Mark e Derek, sentados
perto das roulottes, começam a ficar mais impacientes em relação ao programa escolhido por Richard - é então que ele aparece, dizendo que uma “Noite de Cavalheiros” consiste numa noite sem mulheres, simplesmente. Contudo, Erica, segundos depois, aparece também, e ele diz Change of plans. Eu bati palmas nesta cena, quando ela aparece! Gostei bastante. Depois, o que jogam eles? Monopoly.
Meredith, deitada na cama com Cristina, ouve um barulho vindo do corredor e vai ver o que se passa. É então que descobre Alex e Lexie - ela envolvida num lençol - a beijarem-se, felizes, e fica em choque, deixando um cliff-hanger para o próximo episódio e acrescentando mais um à lista de romances da série que se inicia com sexo. Ah, e não nos esqueçamos que a Rebecca ainda há-de voltar… está bonito, isto, está!
Nota: 10/10 - Daqueles episódios que uma pessoa revê e não se cansa. As personagens estiveram excelentes - mesmo George e Izzie, que tiveram bons momentos de camaradagem, como na cena em que ele lhe dá força para a cirurgia de Arnold -, os pacientes foram muito interessantes e a história continuou a avançar. O melhor dos seis, só tive pena de não ter visto nenhuma interacção entre Callie e Cristina, que vivem agora juntas.
Bem, finda a análise a estes seis episódios, resta-me esperar algumas semanas para partilhar convosco os meus pensamentos sobre os episódios 7, 8, 9, 10 e 11. “Anatomia de Grey” dá todos os Domingos às 23:30, na FoxLife. Hoje poderão ver o sétimo episódio! Despeço-me, esperando que este post vos tenha sido útil. Já sabem, comentem e, enquanto eu não postar a 2ª parte do Balanço, podem ir comentando os próximos episódios aqui, que receberão resposta minha!
