O marketing deste filme foi tão bem elaborado (à semelhança daquilo que se fez com “Wolf Creek”, há uns tempos) que uma pessoa, no minuto em que entra no cinema já está programada a sair de lá com a ideia de que viu um filme bastante bom, um dos melhores do género que ultimamente têm estreado nas salas de cinema. Eu fui vê-lo mais convencido por isso – e pelo trailer – do que propriamente por saber quem é o realizador (Jaume Balagueró, de quem ainda quero ver “Frágiles”) ou a história. Será “[REC]” tão bom como afirmam…?
E é precisamente pelo trailer que começo esta crítica. Tenho de o aplaudir pois, contrariamente a muitos trailers (como este, de “Then She Found Me”, que revela praticamente toda a intriga do filme), consegue atrair a atenção de quem vê sem revelar muito da trama. Confesso que, não tendo pesquisado muito sobre o filme – nem tendo visto fotos -, pelo visionamento do trailer não consegui perceber que me esperava um filme de zombies. Algo notável, sem dúvida…
Somos logo apresentados aos protagonistas deste filme, Angela e Pablo, que estão a fazer uma reportagem para o programa “Enquanto Dormem” – nome que, aliás, faz com que certa personagem pergunte, em tom de brincadeira, quem é que o vê – sobre a vida de bombeiros. Ao constatar a pasmaceira que é, normalmente, a vida de um bombeiro, Angela confessa, a certa altura, que adorava que recebessem uma chamada e que acontecesse alguma coisa em grande para que eles pudessem filmar como são eles em acção. Escusado será dizer que, pouco depois, enquanto ela aproveita para conviver num jogo de basquetebol com um grupo de bombeiros, recebem uma chamada de uma mulher presa no seu apartamento e ela parte para o local juntamente com eles – e é este o mote do filme, uma chamada numa noite aparentemente normal que despoleta uma série de eventos que, não fosse este um filme de terror, serão fatais às personagens. O resto da história, à parte de uma observação que farei mais à frente, fica para vocês.

Algo que joga a favor do filme é, como devem imaginar, a forma como foi filmado – contendo apenas alguns cortes justificados pela história, acompanhamos os eventos com a nossa jornalista (que tem, no início, alguns momentos que façam com que simpatizemos consigo), os bombeiros e os vizinhos da mulher em “tempo real”, como se estivéssemos ali, algo que não seria tão eficaz caso tivesse sido filmado de forma mais convencional. E se isso é positivo na maioria das vezes, não deixa de ser chato quando a câmara avaria ou deixa de filmar numa cena mais intensa.

A história em si é bastante simples e podia resumi-la em poucas linhas. O filme “copia” a mesma explicação para o aparecimento do vírus que aquela que presenciámos no “Dawn Of The Dead” (9/10) mas, não se contentando com isso, resolve ainda, lá para o final, adicionar uma cena totalmente descabida – que é aquela em que Angela e o companheiro descobrem que uma das possíveis causas do vírus terá sido a possessão de uma rapariga, que estava, por sinal, trancada no sotão do complexo de apartamentos. É essa a única explicação que tenho para essa cena – ou isso ou uma desculpa barata para prolongar a projecção e gerar o – excelente – confronto final, que é uma das cenas mais eficazes do filme.

No fim, “[REC]” é um filme de terror banal que deve grande parte do seu mérito à forma como foi filmado, que provoca uma imersão bastante grande no espectador. Tendo tempo ainda para nos provocar alguns sorrisos e chamar à atenção para o racismo que ainda existe na Península Ibérica – reparem na forma como as personagens culpam a família chinesa, por ter um dos membros doentes, como sendo a causadora do vírus -, serve também para destruir quaisquer preconceitos que tenhamos em relação ao cinema espanhol. Se não, reparem no trailer de “Quarantine”, o remake, e digam-me se não se vê, só por aí, que este é superior. Essa imersão foi ainda acentuada pelo facto de eu ter vivido esta experiência cinematográfica totalmente sozinho numa sala de cinema… só por isso, “[REC]” vai-me ficar na memória como um dos filmes de terror a conseguir assustar genuinamente. Aconselho, sem dúvida… não esperem algo de revolucionário, contudo.
Nota: 8.5/10


AI MEU DEUS MAL POSSO ESPERAR
Sim senhor..Grande crítica! Gostei bastante do filme..e a parte final..uffa! É a prova que não é preciso muito dinheiro para fazer um bom filme.. é uma lição ao cinema português!!
Ótimo filme! Entre os dessa geração encabeça a minha lista. Apesar da cena do final de Ãngela eu não gostar. Recomendo também e concordo com a crítica.
Realmente… O filme nao e uma grande producao, porem nos reserva grandes sustos e momentos de tensao. Apesar de filmes no genero de zumbis seguirem a mesma linha, esse se destaca pela forma como foi gravado!!! Tambem concordo com a critica!!!
Otima critica, porem achei o filme chato, sem graça e é o primeiro filme que realmente termina por falta de personagens!!
Nao sei , eu esperava muito dessa produção, me decepcione!!!
Ótimo filme!!!! Assistir e não vejo a hora de compra-lo.
Eu concordo com a critica, o filme é muito bom, no inicio eu pensei q seria horrivel, mas depois eu adorei, a única coisa que eu não gostei foi do final, não é possivel , só pode ter o 2…. mas assistam!!!
O REC é ralmente um dos melhores filmes de terror que eu já vi. É inovador, assustador, perturbador, inteligente, sem mais. É incrível o clima tenso que o filme proporciona.
Mas, por favor, passem longe da refilmagem hollywoodiana!!! é PODRE, não chega nem aos pés do original!