28
Abr
08

Basic Instinct 2 – Crítica

Crítica ao filme “Basic Instinct 2″, por Douglas Lobo.


Sem a presença forte de Michael Douglas, astro do primeiro filme, “Instinto Selvagem 2” (Basic Instinct 2. EUA/Reino Unido/ Alemanha/ Espanha, 2006) esbarra em um protagonista deslocado e em roteiro dos mais previsíveis. O ator David Morrissey faz um trabalho artificial e contido, mostrando-se inclusive desajeitado nas (poucas) cenas de sexo. Sem a química com Douglas – ponto alto do primeiro filme -, Sharon Stone não segura a seqüência, fazendo uma caricatura de si própria como a sexualmente irresistível Catherine Tramel. Ao tentar dar conteúdo “artístico” a um thriller comercial, o diretor Michael Caton-Jones eliminou a espontaneidade despretensiosa do primeiro filme – um dos maiores sucessos de 1992.

Neste segundo filme, Catherine Tramel está sempre seduzindo, sem descanso. Atriz competente, mas irregular, Sharon Stone usa clichês desgastados no papel de femme fatale: voz alterada, olhares penetrantes, cruzada de pernas, decotes etc. Fora de forma para atuar, mas em forma para se exibir, seus únicos méritos no filme são os físicos. No entanto, é difícil precisar o quanto há de fotografia, maquiagem, edição e dublês de corpo na construção da exuberante beleza da atriz aos 48 anos.

Mas Sharon Stone ainda é o melhor em um filme previsível do começo ao fim. O roteiro tem tantos pontos de semelhança com o da primeira seqüência que é possível prever o desenrolar – e até o desfecho – da trama. A idéia-base é de resto inverossímil: a manipulação sutil de Catherine Tramel no primeiro filme, que engana com dificuldade o personagem de Michael Douglas, um policial de campo sem maiores dotes intelectuais – agora é uma manipulação forçada e simplória, que contraditoriamente engana com facilidade o personagem de Morrissey, um psiquiatra reputado com atividade acadêmica. Os diálogos forçados e sem graça nem de longe lembram os da primeira seqüência.

Porém, o maior defeito de “Instinto Selvagem 2” é o de se levar a sério. O diretor Michael Caton-Jones quis dar ao filme uma ambientação “artística”, através de fotografia refinada e de personagens que se vestem no cotidiano como se estivessem em um casamento da monarquia britânica. O contraste branco/preto é trabalhado durante todo o filme – principalmente através das roupas dos personagens. O filme tenta se vender como “obra de arte”, através de referências à psicanálise e de atmosfera geral que lembra (vagamente) os filmes de Alfred Hitchcock. O resultado é um filme artificial, falsamente artístico e dirigido sem entusiasmo. Decepcionados, os incondicionais fãs de Sharon Stone devem esperar pela terceira seqüência, já anunciada. Melhor ainda é comprar em DVD o primeiro – mais divertido, menos pretensioso e com Sharon Stone quatorze anos mais jovem.


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