Blood Diamond - Crítica

Crítica ao filme “Blood Diamond” por Douglas Lobo.


Para além dos méritos cinematográficos, “Diamante de Sangue” (Blood Diamond, EUA, 2006) se impõe sobretudo pelo tema. Por trás de clichês do cinema comercial, é um alerta sobre o risco de movimentos populistas que utilizam a ideologia nacionalista em benefício próprio, sem compromisso com a ética e os Direitos Humanos. Alerta válido para a África dos anos 90 – período do filme -, mas também para a América Latina de hoje.

O diretor Edward Zwick coloca em “Diamante de Sangue” clichês que o cinema americano sempre utiliza ao mostrar o continente africano. Tudo é exótico, turístico até. Mas sem exageros - só concessões mínimas para a indústria: pouca paisagem, algumas cenas de combate, melodrama, um ritmo alucinante em alguns momentos, a realização voltada para o astro Leonardo Di Caprio. Garantida a atenção da plateia pelos artifícios comerciais, o filme trata de abordar a temática social e política da exploração dos países periféricos pelas grandes potências.

No caso, Serra Leoa, país da África Ocidental que viveu uma guerra civil durante a década de 90. Na guerra, os diamantes do país eram vendidos ilegalmente no exterior pelos revolucionários da Frente Revolucionária Unida (FRU), que tentavam destituir o presidente Ahmed Tejan Kabbah. Os rebeldes ficavam com um percentual do dinheiro e utilizavam o restante para comprar armas. Os revolucionários ficaram conhecidos pelas mutilações, violações e assassinatos contra a população de Serra Leoa, além de terem recrutado e treinado crianças para a Frente. Baseado nestes factos históricos, o filme aborda aspectos como a cooperação internacional, o interesse de corporações privadas nos conflitos armados e a eterna posição dos países periféricos de fornecedores de matérias-primas para as potências industriais.

Em “Diamante de Sangue” há poucos heróis. Os revolucionários praticam barbaridades contra seu próprio povo, a empresa Van de Kamp, que compra os diamantes, é na prática a financiadora da guerra civil, o contrabandista Danny Archer (Di Caprio) vende armas aos rebeldes, a jornalista Maddy Bowen (Jennifer Connely) se sensibiliza com as vítimas, mas ao mesmo tempo busca firmar a carreira na cobertura da guerra. Herói mesmo só o nativo Solomon Vandy (Djimon Hounsou). Só ele sabe onde está o maior diamante de Serra Leoa e este é o único elo que o une aos demais.

Uma guerra é feita por muitos. “Diamante de Sangue” evita o discurso fácil de culpar unicamente a exploração das grandes potências pelos conflitos nos países periféricos. A maior violência em Serra Leoa é praticada pelos próprios revolucionários, que massacram seu povo, armam suas crianças, escravizam os mais fortes e vendem para uma corporação estrangeira a maior riqueza de seu país – os diamantes. Os actos sanguinários da FRU são acompanhados por discursos de soberania e nacionalismo perigosamente presentes ainda hoje na retórica de movimentos, governos e partidos populistas – talvez não mais na África, mas certamente na América Latina.

Nos Estados Unidos o filme foi acusado de “liberal” e “politicamente correto” por alguns jornalistas, já que chama à responsabilidade os consumidores de diamantes dos países industrializados, que involuntariamente terminaram por financiar a guerra civil. A cobrança é feita no decorrer do filme e principalmente no final, nos créditos de tela. Mas o que “Diamante de Sangue” tenta mostrar é justamente a complexidade dos conflitos armados nos países periféricos, em que muitos são (voluntariamente ou não) os vilões, poucos os heróis e por trás dos discursos e de boas intenções só há um grande motor: o dinheiro.

2 Respostas para “Blood Diamond - Crítica”

  1. Flávio Diz:

    Gostei muito do filme, algumas cenas chocaram-me… não me arrependo de ter visto a película pois, sem dúvida, toca num tema que ainda não é tão debatido quanto deveria ser, o fabrico e a exploração de diamantes àquela escala tão desumana e, claro, ilegal.

  2. VEMBA Diz:

    A leitura que fiz sobre o filme: O Diamante de Sangue , imprencionou-me bastante, mesmo não tendo o privilegio de apreciar este filme, esperarei com toda ansiedade, e acredito que terei a honra de deixar a minha critica sujestiva e construtiva inerente ao filme. Mesmo assim gostaria de parabenizar os protagonistas deta nobre idealização cinematográfico. _Meus calorosos cumprimentos!

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