Medieval II: Total War - Crítica

Crítica do videojogo “Medieval II: Total War”, por Luís Peres via “Zona Livre” do blog.
Bom, quero desde já congratular os autores deste blog pelo seu fantástico trabalho realizado até agora, mesmo tendo em conta os eventuais contratempos que foram surgindo e, felizmente, todos ultrapassados.
Estou a utilizar esta “Zona Livre” (bastante útil, pena não ser usada mais vezes) para divulgar um jogo que, na minha modesta opinião, é um dos melhores já desenvolvidos por qualquer produtora e para qualquer plataforma. Falar-vos-ei, portanto, de “Medieval II: Total War” da Sega/Creative Assembly.
Esta máquina do tempo com data marcada para o início do século XI não é um simples passatempo: é uma maneira de alterarmos o rumo da história europeia (e americana, quase no fim da campanha) sentados no conforto da nossa casa. O 5.º episódio da série de jogos Total War presenteia-nos com um grafismo verdadeiramente espectacular, em que nenhum soldado do nosso exército é igual ao anterior ou ao seguinte. Existe sempre algum pormenor diferente, nem que seja um remendo dos collants de um mosqueteiro renascentista. Os gráficos são sempre algo de muito importante num jogo de estratégia e diga-se, morbidamente, que ver um soldado mouro, de vestes extravagantes de simples tecido a arder com uma flecha portuguesa, nos dá um certo prazer que, não fosse isto um jogo, seria considerado uma coisa muito feia.
Mas, começando pelo início: no menu principal podemos escolher uma de quatro opções de jogo: batalhas rápidas, batalhas personalizadas, batalhas históricas e a vertente multiplayer, sem contar com a campanha, claro. Neste último modo, o mais completo do jogo, começamos por escolher uma facção europeia (de inicio temos apenas desbloqueadas a Espanha, França, Inglaterra, Escócia, Sacro Império Romano-Germânico e Veneza. Não se preocupem, Portugal é jogável logo após vencer uma primeira campanha). Podemos ainda escolher se queremos uma campanha curta ou outra mais longa e elaborada. Depois de escolhermos todos os factores para iniciar a campanha, deparamo-nos com um mapa da Europa, ainda incompleto, em que vemos as regiões, cidades e castelos que controlamos, que variam conforme a nação escolhida. O jogo é feito por turnos, algo semelhante ao “Risco”, clássico jogo de tabuleiro. As cidades são melhores centros económicos e fiscais enquanto que os castelos são melhores para recrutar unidades e defender posições estratégicas.
Como seria de esperar, Medieval é um jogo que retrata a sociedade medieval em três classes: o povo, a nobreza e o clero.

O povo é constituído por todos aqueles a quem cobram os impostos, donde provêm as unidades militares mais básicas (aldeões, archeiros simples, lanceiros, etc.), os assassinos, que servem, obviamente, para tirar de cena personagens de outras facções e os mercadores que viajam pelo mapa à procura de recursos para comerciar. Por fim, temos o espião que se infiltra em cidades e nos dá informações sobre exércitos inimigos.

Da nobreza provêm as melhores unidades militares, como cavaleiros e infantaria pesada. Para além disso, são também eles os generais das tropas, que dão ânimo e são um bónus importante em batalhas. Temos ainda as princesas, eternas diplomatas e infelizes moeda de troca: servem muitas vezes para casar com príncipes de outras facções para fortalecer laços e criar alianças.
Finalmente temos o clero, representado por padres, bispos e cardeais. A religião é, no entanto, imposta pelo Vaticano. Os jogadores recebem regularmente missões enviadas de Roma, que passam pela criação de Cruzadas, construção de igrejas, destruição da heresia, etc. Cada vez que não cumprimos uma destas missões, ficamos mal vistos pelo Papa e, se chegarmos a um extremo, podemos mesmo ser excomungados, o que nos torna um fácil alvo de outros países católicos.

Passando agora para as batalhas em tempo real: a melhor palavra para as descrever é, provavelmente, “fascinantes”. Por exemplo, durante a colocação do nosso exército no terreno, podemos utilizar os diversos factores naturais em nosso favor (tropas escondidas em bosques, archeiros em colinas elevadas, etc.). Algumas unidades têm ainda habilidades especiais (formações ofensivas, espigões de madeira para defender de ataques de cavalaria, etc.). Outro factor determinante para a vitória ou derrota é o clima: tentem atacar um castelo com nevoeiro cerrado e verão do que falo. E, por falar em castelos: as cidades e castelos do jogo podem atingir tamanhos nunca antes vistos e, na sua fase mais desenvolvida, podem mesmo ocupar quase todo o campo de batalha (que é enorme).

Os castelos têm ainda como particularidades os seus bastiões defensivos: fossos com água e vários anéis de muralhas! A recriação destas povoações está tão realista que poderiam perfeitamente ser usadas em documentários históricos sobre a vida medieval.
Saindo agora do campo de análise geral ao jogo, não posso deixar de fazer um pequeno comentário à jovem nação portuguesa, acabada de fundar. A campanha lusitana começa em plena Reconquista Cristã com duas regiões sob o nosso controlo: todo o território físico português e Pamplona, nas Astúrias. A Península Ibérica é ainda ocupada pelos Espanhóis e pelos Mouros, os imediatos alvos de D. Afonso Henriques. No entanto, para intensificar a experiência histórica, tanto do nosso país como de qualquer outro da Europa, sugiro que façam download do mod “Portvcale”, desenvolvido inteiramente por uma equipa portuguesa. Basta procurar no Google. Assim, Portugal começa com Guimarães e Coimbra (Portugal divide-se em Guimarães, Coimbra, Lisboa e Silves) e os reinos espanhóis aparecem divididos em Castela e Leão, Navarra e Aragão, por exemplo. Existem também muitas mais outras alterações ao mapa.
Então, a única coisa que posso dizer é: comprem! O jogo é fantástico e consegue viciar-nos de tão bom que é. Só é pena os personagens portugueses falarem em inglês, ainda por cima com um sotaque que nos faz lembrar uma qualquer personagem do CSI Miami, hispânica, claro.
Nota final: 9.5/10
