05
Mai
08

Iron Man – Crítica

Crítica ao filme “Iron Man”, por Douglas Lobo.


Nem todo super-herói vem da classe média. Em “Homem de Ferro”, Tony Stark (Robert Downey Jr.) é um bilionário empresário do ramo de armas que se arrepende dos negócios e decide trazer a paz ao mundo. Claro, para isso ele constrói uma arma. Uma super-armadura capaz de voar, despejar raios, balas e fogo e cujo capacete é uma mini-central de controle conectada a um computador de alta inteligência.

A super-armadura deixa Stark invencível contra criminosos comuns. Mas ele enfrenta problemas quando tem de lidar com uma super-armadura semelhante, construída com base no mesmo protótipo da sua. O roteiro pouco se aprofunda nas motivações dos criminosos (ou nas de Stark), que no começo do filme sequestram o bilionário durante uma visita ao Afeganistão para que ele construa um lançador de mísseis. Ao invés, Stark constrói uma super-armadura e a utiliza para fugir. Antes, encontra armas de sua indústria com os criminosos e tem uma crise de consciência (ele realmente achava que o negócio de armas era patriótico?). Decide usar a armadura como protótipo para uma mais poderosa.

Ao contrário de filmes como “Homem-Aranha” e “Superman – O Retorno”, que abordam os super-heróis numa perspectiva adulta, “Homem de Ferro” está mais para o público “teen”. O lado adulto do personagem foi removido, a ponto de o personagem ser mais maduro nas histórias em quadradinhos do que no cinema. O alcoolismo de Stark, abordado explicitamente nos quadradinhos, é aqui tratado com tanta discrição que nem se nota. Os personagens são infantilizados (à excepção de Virginia ‘Pepper’ Potts, interpretada por Gwyneth Paltrow) e jamais existiriam na vida real. Suas motivações são de papéis sociais (heróis, vilões, bilionário, jornalista), não de seres humanos. O mais interessante na construção de personagem é extra-tela: o irresponsável Tony Stark lembra o próprio Downey Jr, conhecido pela vida desregrada.

Em um filme no qual o herói é mais importante do que o ser humano, o melhor são as cenas de ação. Assim como nas histórias em quadrinhos, Tony Stark fica em apuros quando os circuitos de sua armadura começam a falhar – o calcanhar de Aquiles do herói desde sempre. Há fagulhas de humanidade quando Stark começa a testar a armadura ou quando ensaia um romance com Pepper. Mas ao tirar a humanidade do mundo dos heróis, “Homem de Ferro” fica na segunda equipa da nova safra de filmes iniciada com “X-Men”, ao lado de pipocões superficiais como “Demolidor” e “Motoqueiro Fantasma”.

Nota: 6/10


3 Respostas to “Iron Man – Crítica”


  1. 1 kang4roo
    7 07UTC Maio 07UTC 2008 às 10:43


    Obrigado.. Info agradável…

    Se Você Precisar de UM Blog, Tente Olhar “Leoxa.com”
    (Os Temas São Tão Atraentes)

  2. 9 09UTC Junho 09UTC 2008 às 14:01

    Nem as cenas de acção são grande coisa, a cena final que deveria ser a mais interessante realmente soube a pouco…

  3. 3 Marta
    26 26UTC Junho 26UTC 2008 às 00:40

    Na minha opinião o melhor do filme foi mesmo o Robert Downey Jr. É um actor fenomenal. E quanto ás cenas de acção, não achei que estivessem grande coisa, talvez pela inexperiência do realizador neste tipo de filmes.
    Outra coisa que me agradou foi o facto de terem dado mais importância à história do que propriamente à acção. Isso pode não ter agradado a quem estivesse à espera de um mero filme de acção, sem mt conteúdo, mas eu achei que foi uma mais valia.


Deixe uma Resposta




Bem-vindo

Bem-vindo ao Pipocas e Outras Tretas, um espaço de opinião pessoal dedicado às artes em geral, como o cinema, a literatura, a música e a televisão.

Visitas

  • 80,969 pessoas visitaram-nos

Autores Antigos

Críticas / Reviews

Os títulos abaixo listados foram os que neste blog foram criticados e analisados na área do cinema, da literatura, televisão, dos videojogos, do anime, e da música, assim como se encontram presentes os especiais realizados. Nos filmes encontra-se presente o ano de lançamento original e nos livros o autor.

Direitos Reservados

Creative Commons License
Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons.