
Crítica de “Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal”, por Douglas Lobo.

“Indiana Jones and the Kingdom of the Crystal Skull” é um filme da “old school”. Quarto filme da série, parece ter sido feito nos anos 80. Referências aos filmes anteriores (e à série de TV “The Young Indiana Jones Chronicles”, dos anos 90) aparecem ao longo do filme. A fotografia, a direção de atores, os efeitos especiais – tudo remete aos anos 80. O tom nostálgico é tão grande que transforma o filme mais em uma homenagem do que em uma seqüência. Enquanto as novas seqüências de “Duro de matar” e “Rambo”, por exemplo, incorporaram novos temas e técnicas, a nova aventura de “Indiana Jones” usa o modelo dos demais filmes, mas sem ir além deles.
O estilo “old school”, no entanto, é de Steven Spielberg (diretor) e George Lucas (autor da história), o que significa frescor para fórmulas antigas. Sem idéias originais, o filme saudosamente resgata a cinematografia de Spielberg e Lucas, através de cenas que lembram os sucessos dos cineastas e de referências ao universo temático de ambos – alienígenas, o ambiente militar, a juventude dos anos 50, o controle governamental e a II Guerra, além é claro de Indiana Jones. A produção tem um ar de matinê, com alguma coisa dos anos 40-60 (décadas decisivas na formação de Spielberg e Lucas).

A história lembra muito a de “Raiders of the Lost Ark” (1981), o primeiro da série. Em 1957, Indiana Jones é contatado pelo jovem Mutt Williams (Shia LaBeouf), que conta que sua mãe, Marion Ravenwood (Karen Allen, do primeiro filme) foi seqüestrada pelos russos. O exército russo na verdade está interessado em atrair Indiana Jones para forçá-lo a achar uma lendária Caveira de Cristal que teria poderes mágicos. O cenário da maior parte do filme é a Floresta Amazônica, com cenas filmadas no Havaí. O ambiente de florestas e templos perdidos remete, claro, para “Indiana Jones and the Temple of Doom” (1984), o segundo filme da série (e o menos conceituado). Ao longo do filme, Indiana descobre que Mutt é na verdade seu filho, colocando na história a questão da paternidade, presente no último filme da série, “Indiana Jones and the Last Crusade” (1989).
A idade avançada limita claramente a atuação de Harrison Ford, que deve muito da parte física aos dublês e efeitos de direção. Ford não recria o personagem, nem parece preocupado com isso. Ele simplesmente dá ao público o personagem como era nos anos 80. Cate Blanchet assimila mais um sotaque em sua carreira, interpretando a austríaca Irina Spalko, que lidera os russos na busca da Caveira de Cristal. A atriz constrói o personagem como uma réplica das espiãs dos antigos filmes de guerra. O trabalho de voz e de expressões faciais coloca a atriz em um nível acima do restante do elenco.

“Indiana Jones and the Kingdom of the Crystal Skull” não é tão centrado como os filmes anteriores, que (especialmente o primeiro) parecem ter sido feitos cortando-se tudo que era desnecessário, na direção, no roteiro e na atuação – o que dá a eles uma concisão e um ritmo que inauguraram um novo padrão nos filmes de aventura. Spielberg está mais relaxado agora, encarando a seqüência mais como uma diversão do que um trabalho de fôlego. O roteiro em especial tem pontas soltas e um excesso de assuntos que ameaça o foco da trama.
Mas o interessante em “Indiana Jones and the Kingdom of the Crystal Skull” é que é um válido contraponto ao cinema modernoso e tecnológico, exemplificado por filmes como “Transformers” e “The Matrix”. A evolução da linguagem do cinema é irreversível, mas sua base será sempre os princípios que acompanham a arte há décadas. Ninguém mais autorizado a legitimar a “old school” do que Steven Spielberg e George Lucas, cineastas modernos que inauguraram a era dos “blockbusters”, mas cuja base de criação são os filmes dos anos 40, 50 e 60. Numa época em que a modernidade no cinema chega a excessos e diretores afundam deslumbradamente na linguagem da informática, do videoclipe e do videogame, a dupla Spielberg/Lucas entra numa máquina do tempo e reverencia as bases clássicas do cinema.
Nota: 8/10

Gostei da crítica e concordo com o que disseste.