
Talvez a tristeza não seja uma boa resolução de ano novo; mas a leitura deste livro, seja em que altura do ano for, é sempre uma boa escolha.
Em 1954, Françoise Sagan, de 18 anos, ocupou o seu Verão a escrever este romance. Bonjour tristesse veio chocar a França e, pouco depois, o mundo. Não me perguntem porquê. A mim, pessoalmente, custa-me a entender que há meio século atrás um livro como este trouxesse tanta polémica.
O livro é pobre em personagens e em páginas; pobre é como quem diz…escassas, pois esta obra está longe de ser pobre. Narrando na primeira pessoa, Cécile conta-nos o que tornou aquele Verão na Riviera Francesa tão único e tão pesado para ela. Numa villa junto ao mar, Cecile , juntamente com o pai, Raymond, e uma das muitas conquistas dele, Elsa, prevê umas férias maravilhosas que a presença de Anne, uma mulher elegante e inteligente, amiga da sua falecida mãe, pode ameaçar.
Anne não é non grata por Cécile. A questão está longe de ser essa. O problema é que Cécile e o pai estão habituados a um estilo de vida livre, descomprometido e de procura de prazeres, e Anne é o completo contrário, fazendo com que Cecile receie os seus comentários sarcásticos. E quando Cécile estava mais feliz, descobrindo o seu primeiro amor com Cyril, um jovem de 25 anos, velejando e tomando banhos de sol, o anúncio de noivado entre o seu pai e Anne, deixam-na a pensar no quanto a sua vida libertina será sacrificada.
O conflito de sentimentos da protagonista levam-na a criar um plano com Elsa e Cyril para separem Ray e Anne. Plano esse que, embora ela seja a grande arquitecta, fazem-na desejar, constantemente que falhe. O conflito entre o bem e o mal desenrola-se na sua própria mente; o desejo de, por um lado, se querer tornar em alguém parecido com Anne e de ver o seu pai feliz devastam-na quando, dia após dia, vê o seu plano em acção.
A leveza e expressividade de Françoise Sagan é marcante; toda esta obra é, sem dúvida alguma, magnifica!
P.S.: A todos um feliz 2009!
Isabel Dias

Gostei do estilo de escrita da autora, mas pouco mais. O cenário e as vivências das personagens são agradáveis, mas a história em si… vale pela intriga, pelo conflito interior que referiste no texto. Não é um mau livro!