01
Jan
09

“Grey’s Anatomy: Season 4″

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Quarto segmento de histórias sobre os populares médicos do Seattle Grace, esta temporada vinha envolta numa promessa de mudança expressa até no título do primeiro episódio, “A Change Is Gonna Come”. Tendo todos (excepto George) passado no teste, no final da terceira temporada,  Grey e companhia teriam agora mudanças profundas a nível profissional: em vez de assistirem a cirurgias, começariam a realizá-las de facto, teriam internos (ou estagiários, uma vez que ambas as traduções têm surgido) sob a sua alçada, e tudo sugeria um ponto de viragem que a série realmente necessitava, depois dos muitos erros cometidos na terceira temporada que, embora tenha produzido alguns dos melhores momentos da série, ficou àquem das expectativas da maioria.


Infelizmente, essa promessa demorou a concretizar-se, uma vez que os escritores, ao invés de se focarem nas vidas profissionais e propor novos desafios que fizessem as personagens evoluir como médicos, decidiram dar maior relevo à vida amorosa delas. Meredith e os problemas com Derek, o triângulo amoroso (e algo desastroso) entre Izzie, Callie e George foram os principais ingredientes dos episódios iniciais, o que me desiludiu, apesar dos bons casos médicos que iam surgindo. O vácuo provocado pela partida de personagens importantes, o desgaste das que cá ficaram, tudo começava a intensificar-se. E foi preciso chegar ao 11º episódio, “Lay Your Hands On Me”, para que esta “Anatomia” merecesse ser estudada. A partir daí, foi uma série de excelentes episódios que conduziu a um final interessante e bem-conseguido.
Como é óbvio, nem tudo foi mau: o brilhantismo que outrora afagava cada episódio da série, nas já longínquas primeiras duas temporadas, foi visível em episódios como “The Heart Of The Matter” ou na segunda parte de “Crash Into Me”, que, pela sua estrutura e diálogos, deve ser dos melhores episódios de “Grey’s”. As novas personagens, como Lexie, a meia-irmã de Meredith, ou Erica Hahn, que, embora tenha aparecido já na série, só no quinto episódio desta temporada é contratada, são boas adições e que trazem algo de novo. Mas, a certa altura, começa a perceber-se que a série tem já demasiadas personagens, e que os escritores têm dificuldade em encontrar histórias para todas: talvez seja por isso que Mark tem um papel tão secundário e Callie e Hahn protagonizam uma storyline homossexual (bem desenvolvida, porém). Por sua vez, Bailey, uma personagem central, ganha maior destaque e uma faceta mais pessoal: poderá ter sido uma boa decisão, mas espero que não mudem completamente a personagem (houve momentos em que ela pareceu agir fora de tom, mas nada de grave).

A questão fica: até que ponto é que isto pode continuar? A fórmula não está gasta ainda, mas é preciso geri-la com cautela. Por cá, pede-se um maior destaque para a Dr. Stevens, que protagonizou até hoje alguns dos momentos mais inesquecíveis. Não a Izzie que, em prol da vertente amorosa que os escritores parecem adorar escrever, se tornou promíscua e quase irrelevante, mas sim a Izzie que luta por tornar-se uma médica competente, mas mesmo assim simpatizante para com os pacientes, e que por várias vezes conseguiu comover. A Izzie do sexto episódio desta temporada, “Kung Fu Fighting”, ou de “Piece Of My Heart”. Não a Izzie que desespera por George em “A Change Is Gonna Come”. E, já agora, se não for pedir muito, um maior foco na Medicina propriamente dita. Caso contrário, não me parece que vá além da 5ª temporada.

P.S.: Sim, já vi alguns episódios da quinta temporada. Começou com um péssimo episódio duplo, mas agora (ainda só vi até ao 6º ep) voltou à boa forma.

Rúben Gonçalves


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