04
Jan
09

Entrevista aos The Fly, banda-tributo dos U2

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Melhor do que ouvir música em casa… é ouvir música ao vivo. Por isso resolvi ouvir pela primeira vez música dos U2 ao vivo, tocada por uma banda tributo: os The Fly. Aproveitei e trouxe ao blog a nossa primeira entrevista em exclusivo!

Em primeiro lugar quero agradecer à banda toda a disponibilidade que apresentaram a partir do primeiro momento em que propus uma entrevista. Foram muito simpáticos e receptivos.

Antes de passar a mostrar a entrevista quero também, em jeito de curiosidade, dizer que a entrevista que vou copiar foi a segunda que fizemos. A primeira, feliz ou infelizmente, não ficou gravada e tivemos de repetir tudo outra vez.

Agora sim, a entrevista.

Sandra: Pronto, agora está a dar. Agora tenho a certeza absoluta!

Elsa: Agora filma tu.

Sandra (pegando no telemóvel): Está bem.

Elsa: Pronto, primeira pergunta. Finjam-se surpreendidos.

Tiago: Primeira pergunta Take-2.

Sandra: Agora vinha aquele grito: “Aaaaah!”

Elsa (rindo-se): Preferem que vos tratem pelos vossos nomes ou pelos nomes da banda?

Tiago – Eu quero que me tratem por Edge, ‘tá bem? (risos) Não, pelos nossos nomes.

João – Pelos nossos nomes. Nós não estamos a interpretar nenhum papel, somos nós próprios. Não somos nenhuns actores.

Sandra: O que é para vocês ser uma banda tributo?

Tiago (à parte): E’pá, eu queria filmar aí um bocado do bolo de bolacha! (risos)

João: É uma forma de homenagear a nossa banda preferida e de celebrar a melhor música do planeta.

Tiago: Do Universo. Porque a gente sabe que nos outros planetas também há musica.

Elsa: E nem os extraterrestres fazem música melhor! (risos)

Ricardo (apontando para o telemóvel): Tu estás a gravar vídeo também porque eu estou a ver a cara dela ali!

Sandra: Porque se for só som é num instante que se vai ao ar.

Sandra: A maioria das bandas tributo tentam parecer-se parecidos fisicamente com os membros da banda e costumam adaptar as suas roupas e penteados em palco, acham isso importante para vocês ou têm sempre mais cuidado com a parte técnica?

João: Para nós o importante é a parte musical. De resto não. Tentamos é arranjar um meio-termo. Por um lado não imitamos mas por outro também é uma questão de bom senso. Há coisas que não fazem sentido, não é? Eu não vou tocar numa banda tributo de U2 com uma T-shirt de surf, ou qualquer coisa! Portanto, é ali um meio-termo.

Tiago: Para mim o gorro é importante.

João: Ele só toca bem se tiver o gorro na cabeça, senão não faz sentido. (risos)

Tiago: Sem o gorro não faz sentido.

Elsa: Porquê uma banda tributo dos U2? Pensaram alguma vez prestar homenagem a…

Tiago (continuando a frase): A outra banda?

Elsa: Sim.

Tiago (surpreso) – Ei…

João: (Virando-se para os outros) A gente esteve quase numa que foi quem? Foi ao… era as Doce, não era?

Tiago: Era! (risos)

Sandra (cantando): Uma da manha, woow! Lá vão duas da manhã!

Tiago (Para João): Tu usavas uma peruca…

João (completando): Peruca e salto alto. (Risos) Não, para mim só faz sentido ser aos U2. Todo este trabalho, todo este sacrifício, só faz sentido se gostamos muito daquilo que estamos a prestar tributo. Eu gosto muito de U2, portanto para mim só faz sentido sendo U2.

Tiago: Isto para mim não é profissão, é mesmo só pelo prazer.

Sandra: Como e quando conheceram os U2?

João: Eu tornei-me fã em 1984. Infelizmente nunca os conheci pessoalmente, mas pronto, tive acesso à música deles e tornei-me de imediato fã, portanto já sou fã há muito tempo.

Tiago: Eu tornei-me fã, já não me lembro do ano, mas foi com uma versão do Live Aid da música Bad…

João (interrompendo): Lembraste da hora, não? (risos)

Tiago: Não, não consigo precisar.

João: Era um quarto para o meio dia…

Tiago (continuando): Quando ouvi essa música pela primeira vez não só fiquei fã dos U2 como disse “Eu tenho que aprender a tocar guitarra para tocar isto”. Foi essa música.

João: Tinhas o quê… 3 anos na altura! (risos)

Elsa (rindo): Isso é chama-lo de muito novo!

João (Fazendo cálculos de cabeça): O Live Aid foi em 85. Portanto… ele aprendeu a Bad tinha 5 anos!

Tiago (Desculpando-se): Mas não foi no Live Aid que eu ouvi…

Ricardo: Tinhas 5 anos! Tu com 5 anos já eras fã de U2, que espectáculo! (risos)

Tiago: Foi passado uns anos só. Só não me lembro quando.

Elsa: Como foi a vossa história? Já se conheciam antes de formar a banda, quem teve a ideia, foi difícil de juntar os membros necessários?

João: Sim, foi muito difícil formar a banda porque é difícil arranjar principalmente um bom vocalista. Nós arranjamos um excelente vocalista. Custou, mas arranjamos um excelente vocalista. Eu e o Tiago já nos conhecíamos das diversas iniciativas organizadas pelos clubes fãs dos U2 da zona de Lisboa, e houve um jantar, em Julho de 2007, em que fiquei sentado ao lado dele e calhou em conversa eu saber que ele tocava guitarra e ele saber que eu tocava bateria. E nessa altura falou-se logo na possibilidade de formar uma banda tributo aos U2. Mas depois, o primeiro ensaio e o início das audições foi só em Janeiro desde ano, Janeiro de 2008. Tivemos muitas audições, ouvimos muita gente, ouvimos muitos cromos, conhecemos muita gente maluca, mas em Julho conseguimos finalmente formar a banda na totalidade. Arranjamos o Ricardo para o baixo e o Manuel para a voz, e pronto, a partir de Julho começamos a ensaiar com bastante regularidade. A estreia ao vivo foi na sexta-feira passada, dia 5 de Dezembro, em Ferrel, perto de Peniche.

Tiago: Foi fruto de muito sacrifício, muitas audições que a gente fez, muitas pessoas sem talento absolutamente nenhum (risos).

João: Gente completamente doida.

Sandra (rindo-se): Agora vem aí a pergunta grande. Sabemos bem que as personalidades dos membros dos U2 influenciam bastante a maneira como eles funcionam em palco, nos ensaios e aquele equilibro que existe entre eles é crucial para que tudo funcione, é uma espécie de segredo para o sucesso. Isso também acontece com vocês já que conseguiram chegar até aqui?

João: Isto passa muito por haver respeito uns pelos outros, haver muita tolerância, e acima de tudo gostar daquilo que se faz. Para mim é uma honra tremenda fazer parte de uma banda tributo ao U2 e isso é meio caminho andado.

Tiago (virando-se para nós): Ãh… Qual era a pergunta? (risos) Acho que… acho que nós nos damos bem. Somos, acima de tudo, pessoas adultas. Já não temos aqueles problemas de cada um puxar para o seu lado. Há aqui muito respeito, mesmo na questão da formação das setlists, que cada um soube conceder um espaço para…

João (interrompendo): Foi uma luta! Uma luta praí de duas horas!

Tiago: Mas chegamos a bom equilíbrio, as coisas funcionaram.

Sandra: Já assistiram alguma vez a um concerto dos U2? Pretendem ir juntos ao próximo?

João: Eu já assisti a 9.

Elsa: Em que países?

João (contando-os): Vi em Portugal, vi em Espanha e vi na Inglaterra. Em Lisboa vi 3, vi 2 em Wembley, vi 2 em Madrid, 1 em Barcelona e outro em San Sebastian, acho que foi assim. Foram 9 no total. E para o ano se houver digressão, são mais uns tantos! E alguns devemos de ir todos juntos, como é óbvio.

Sandra: Credo, que sorte…

Ricardo: Eu vi praí uns 10, mas foi em DVD! (risos)

Sandra: Nós também!

Elsa: Mais que 10 até.

Tiago: Eu vi o concerto da Vertigo em Alvalade. Tentei ir ao concerto que era suposto ser no Pavilhão Atlântico da Elevation Tour, mas depois aquela parte da digressão foi toda cancelada. Na altura não fui à Pop Mart porque acho que não estava cá no país. Foi memos uma questão de desencontro, porque já era fã nessa altura. Mas infelizmente só vi um concerto. Agora nesta próxima digressão tenciono fazer a Tour europeia.

Elsa: Nós já andamos a fazer planos desde o ano passado!

Sandra: É. Agora faz a próxima.

Elsa: O que é mais importante para vocês neste momento, tentarem ser o mais conhecidos possível pelo país e conseguirem algum sucesso, ou actuar apenas junto da comunidade de fãs e para eles mesmos? Qual é a vossa política de banda?

João: Nós queremos actuar para todos. Queremos acima de tudo que as pessoas venham aos concertos, que se divirtam. Divertem-se elas e divertimo-nos nós. Queremos que os concertos sejam sempre grandes momentos de celebração da melhor música que se faz no planeta. Porque toda a gente gosta de U2, não é? Há os que são fãs, e os que não são fãs podem não gostar muito mas acabam sempre por gostar pelo menos de algumas músicas, não é?

Sandra: Há sempre pelo menos uma.

João: Pois, há sempre uma ou duas que gostam e de certeza que toda a gente se vai divertir em ouvir-nos e ver-nos ao vivo.

Sandra: Se conseguirem um sucesso vão tentar a vossa sorte com músicas da vossa autoria ou continuar sempre com os U2?

João: Não, este projecto só faz sentido enquanto banda tributo aos U2. Portanto, isto nunca passará por originais. Sempre U2 até morrer, não é? (risos)

Sandra: U2 sempre!

João (rindo-se): U2 sempre!

Tiago: Eu gosto muito de compor coisas minhas mas num contexto de banda cá em Portugal, acima de tudo, acho que a coisa que me dá mais prazer é poder tocar aquelas músicas dos U2, sentir que nós estamos muito próximos daquilo que eles são que nós adoramos, e toda aquela interacção que conseguimos, e que pretendemos conseguir no futuro, ao vivo.

Sandra: Pronto, acabou e obrigada.

Elsa: Pela segunda vez.

Depois da entrevista veio o concerto. Será que as expectativas de cumpriram? Ultrapassaram-se!

Em primeiro lugar, conseguem tocar músicas dos U2, transparecer um pouco da sua magia, mas têm uma identidade própria.  Afirnam-se bem como uma “banda independente” e não uma imitação, ao contrário de outras bandas tributo que se preocupam mais em imitar o mais possível os U2, muitas vezes tornando-se uma palhaçada. Os The Fly prestam homeganem à banda, sem imitações, apenas recriações.

Ainda assim, em cada um deles, conseguimos ver leves traços dos membros que ocupam o mesmo lugar na banda. Talvez mais no Tiago, que até na forma de se vestir, falar e tocar nos lembra o The Edge.

Quanto à maneira como tocaram, foi óptimo, não há falhas a apontar.  Fizeram tudo de maneira que, acredito eu, os U2 aprovariam.

Durante o concerto fechei os olhos por várias vezes e pude imaginar os U2 ali por segundos. A magia que já todos os fãs experimentaram a ver os concertos pairou ali por uns instantes.

Outra coisa indispensável num concerto é o publico – um bom público. Neste caso o público era muito bom e participativo e criou-se logo um clima muito familiar entre todos, acentuado por estarmos a ouvir a musica que sempre conseguiu unir as pessoas. Também por o bar ser minúsculo, nem chegar a ser sequer pequeno (o Vynil Bar).

Não sei se foi assim tão especial para os outros, mas para mim foi a primeira vez que ouvi música dos U2 ao vivo. Por isso, tal como da primeira vez que fui ver o U23D, estive mais ocupada a absorver tudo e apreciar todos os detalhes do que em participar, cantando ou dançando (já para não falar das dores de costas com que estava).

Foi um bom concerto. A repetir.

Sandra Esteves


5 Respostas to “Entrevista aos The Fly, banda-tributo dos U2”


  1. 1 Tiago
    5 05UTC Janeiro 05UTC 2009 ás 22:31

    Muito obrigado às duas pelo vosso empenho e interesse na nossa banda. Foi um prazer dar um concerto para fãs tão dedicadas e sentir que vibraram com a música. É por isso que tocamos! Esperamos voltar brevemente ao Porto.

    Beijinhos,

    Tiago

  2. 2 João
    6 06UTC Janeiro 06UTC 2009 ás 12:19

    Obrigado pelo apoio que estão a dar nesta fase de arranque do nosso projecto. O concerto no Vinyl foi muito bom, com um ambiente excepcional. Esperamos voltar a tocar no Porto.

    U2 Sempre!!!

    Beijinhos,

    João

  3. 3 Joanne
    7 07UTC Janeiro 07UTC 2009 ás 15:22

    Nós também adoramos tudo, principalmente fazer todo este projecto da entrevista. Quando idealizamos tudo isto, dediquei muita força de vontade e pensamentos positivos para vir a pôr em prática. Acho que foi um bom trabalho de equipa e era capaz de repetir 1000 vezes se fosse preciso!

    Sempre achei que a música dos U2 unia muito os fãs, ao contrário de certas bandas em que é cada um para o seu lado. Também desde os primeiros momentos me apercebi que essas relações de amizade eram muito fortes e generosas. É muito gratificante fazer parte desta comunidade de pessoas que têm como paixão a música de uma belíssima banda! Obrigada a todos que me fazem sentir assim, especialmente aos The Fly, pois com eles tive a oportunidade de sentir um pouco da essência dos U2; e à Sandra, pela amizade e companheirismo mútuos.

    Beijinhos,
    Elsa

    PS: À espera de mais concertos!!

  4. 7 07UTC Janeiro 07UTC 2009 ás 16:53

    Excelente!!! Só aqui faltam os espirros e as fungadelas do Tiago :-D

    Agora a sério: muito obrigado pelo vosso apoio, tanto no concerto como aqui no blogue. Para nós é sempre muito recompensador ver que o nosso esforço e dedicação é reconhecido pelas pessoas para as quais trabalhamos. Sem isso, nada disto fazia sentido.

    Esperamos voltar ao Porto em breve.

    Bjs,
    Ricardo

  5. 11 11UTC Janeiro 11UTC 2009 ás 21:55

    Primeiro que tudo, quero felicitá-las pela entrevista!
    Em segundo lugar quero dar-vos as boas vindas à Equipa da U2PT!
    Beijokas,
    Luigi (Acrobat)


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