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Foi este o segundo livro que li de Jane Austen, após o excelente “Orgulho e Preconceito”, e, apesar das expectativas criadas serem altas, foram totalmente satisfeitas.
Sir Walter e a sua filha mais velha, Elizabeth, são em tudo idênticos, e, ambos, ridículos. Citando Jane “A vaidade era o principio e o fim da personalidade de Sir Walter Elliot; vaidade pessoal e de situação.” e penso que será uma descrição bastante credível para Elizabeth. Mary, a filha mais nova mas a que casou primeiro, diverte-nos durante toda a obra com as suas doenças, ou qualquer das suas ideias.
Anne Elliot, seria a única das três irmãs que não herdara algo do feitio de seu pai, mas antes da sua mãe, e era uma mulher justa, amorosa e extremamente caridosa, mas que o desgosto amoroso que teve aos 19 lhe fizera perder, precocemente, o viço, permanecendo, ainda que não tanto como o fora, bela.
Mas agora, 8 anos após a separação, Anne reencontra o, agora, capitão Wentworth. Este está ainda furioso por Anne ter quebrado o seu noivado apenas porque Lady Russel e o seu pai a persuadiram que ele não estava numa situação social ao nível dela. Ainda que se encontrando constantemente, a sua relação não passa além da cortesia.
Todo o rol de situações que os colocam no mesmo espaço é, sem dúvida, típico da autora.
A questão que se mantém durante todo o livro é se 8 anos não tinham tido qualquer efeito nos sentimentos de ambos. Sabemos, claro, que a nossa heroína terá um final feliz (são assim todos os livros de Jane Austen) mas a constante introdução de personagens, em particular a de Mr Walter Elliot (primo de Anne e futuro herdeiro do titulo da família), fazem-nos perguntar quem dará essa felicidade à nossa protagonista: uma antiga paixão que não dá mostras de ser correspondida, ou uma nova que a fará Lady Elliot e que é trazida por alguém tão desejado pelo pai e que a parece desejar?
Nem tudo parece o que é, e posso só dizer que o clímax é sublime.
Jane Austen foi, obrigatoriamente, uma fantástica observadora: o modo como cria situações, como satiriza a sociedade e a descreve é a de alguém que viveu e viu o que a rodeava. Tudo é criado com um propósito, cada personagem uma história e intenção.
Tenho sempre uma grande pena em relação a cada livro que leio desta autora, pelo simples facto de que, por mais que releiamos os seus livros, não podemos novamente experimentar a maravilha e a descoberta da primeira vez.
Este, ensinando sobre o perigo da persuasão (e muito mais), é, agora que já tenho um conhecimento vasto(em breve completo) da obra literária desta escritora, juntamente com “Orgulho e Preconceito”, o meu livro de eleição no que a Jane Austen diz respeito.

“Persuasão” pode ter uma protagonista muito boazinha, mas demonstra uma Jane Austen mais madura do que aquela presente em “Orgulho e Preconceito”, por exemplo. O final continua a ser feliz, mas o caminho percorrido até lá consegue ser algo deprimente (mas realista), expondo personagens cujo objectivo é a obtenção de um estatuto social, ao invés de procurarem criar laços fortes com os familiares, e personalidades traiçoeiras de pessoas egoístas. É uma Jane menos sonhadora, talvez; mas que continua sonhadora o suficiente para nos proporcionar aquele final (que, como dizes, é muito bom!). A sátira, a perspicácia e a sobriedade da autora continuam a dominar a obra, e estão espelhadas em determinadas personagens. Já outras, como Mary e o pai dela, revelam-se bastante hilariantes, como já comentei contigo. É um dos meus livros favoritos, também! E contém aquela citação… “não há praticamente nenhum defeito físico com o qual umas maneiras agradáveis não possam reconciliar-nos pouco a pouco”. Mas disso já falámos nós!
O texto está muito bem escrito, já agora!
Rúben (nem era preciso assinar, mas pronto)
Uhuhuh Gostei
Beijinho*