
Um grande amigo meu, no outro dia, emprestou-me “Lunário”, de Al Berto, para eu ler, dizendo que eu ia gostar. Pois bem, não se enganou: adorei o livro dos pés à cabeça e devorei as suas 161 páginas em duas horas.
“Lunário” não é o que parece ser, e o que parece ser um romance homossexual, acaba por ser muito mais que isso: uma grande reflexão sobre a vida, sobre como vivemos a vida e sobre os acontecimentos que mais nos marcam. Seguimos a história de Beno, um homem nos seus quarenta anos que, estando no seu apartamento, olhando o mar através do enquadramento da janela, reflecte sobre a vida que levou, transportando-nos para acontecimentos e, mais propriamente, pessoas que o marcaram no passado. Viajamos pela cabeça de Beno e assistimos a todos os seus pensamentos e emoções, mas, mais que isso, ao seu acreditar perturbador de que tudo foge, de que nunca vai ficar com a mesma pessoa para sempre. Passam as páginas e há quase uma espera de Beno do dia em que o seu acompanhante o irá deixar.
São-nos introduzidas várias personagens que entraram na vida de Beno, algumas no campo romântico, como é exemplo de Nému (o grande amor de Beno) e Alba (com quem Beno tem um filho), outras no campo da amizade, como é o caso de Kid, Zohía e Alaíno.
Mais que uma divagação da vida, “Lunário” desperta-nos para o passar do tempo, no qual devemos aproveitar o que a vida nos oferece e não deixar passar, como viajante por entre terras desconhecidas, onde numas faz sol e noutras neva, qual nómada. As histórias não nos são apresentadas cronologicamente, por isso, é necessário um esforço mental acrescido para manter a linha do tempo bem definida.
É a primeira vez que leio alguma coisa de Al Berto, mas é certo que me despertou muita curiosidade: amei “Lunário” e as suas fases da Lua. Vou ler de novo e outra e outra vez, porque vale a pena. Foi o primeiro livro que li de uma assentada só e não me arrependi.
Miguel Pinho
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