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Tipologias de composição barroca

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Olá de novo. Volto como prometido, agora com uma caracterização não muito extensa dos principais estilos de composição dentro do período musical que abordámos no último post (o período Barroco). Durante o Barroco central e tardio desenvolveram-se três tipos de concertos instrumentais concertantes: o concerto grosso, o concerto ripieno e, finalmente, o concerto a solo.

  • Concerto Grosso: Um pequeno grupo de solistas opõe-se a um conjunto orquestral mais amplo. O grupo de solistas (concertino), geralmente formado por dois violinos e instrumento baixo, mostra o seu virtuosismo e qualidade de execução, enquanto o grupo orquestral (tutti ou ripieno) toca uma linha melódica geralmente mais simples, que se repete e fica gravada no ouvido do auditório. Os primeiros passos dados na formação do concerto grosso foram dados por Alessandro Stradella entre 1670-1680 e a consagração e consolidação dá-se com o seu primeiro grande representante: Arcangelo Corelli, cujos modelos tiveram uma influência decisiva nas obras de Locatelli, Geminiani e Händel (mais tarde iremos falar dos mais importantes compositores do período barroco)
  • Concerto Ripieno: Posterior ao concerto grosso, também foi conhecido como concerto a quatro ou concerto a cinco (no caso da obra incluir duas partes de viola). Trata-se de composições para o ripieno solo, sem partes claramente solistas. Gozou de grande popularidade até meados do século XVIII e foi especialmente cultivado por Torelli, tendo também Antonio Vivaldi composto um numero considerável de concerti (plural) ripieno.
  • Concerto a solo: Foi a última tipologia a surgir e a que teve maior influência posterior. É composto por um único solista frente ao conjunto orquestral. Os primeiros concerti a solo foram assinados por Giuseppe Torelli em 1698, embora o mais importante compositor deste tipo tenha sido o nosso querido Antonio Vivaldi, autor de mais de trezentos concertos para solista. As obras assentam na divisão em três movimentos, acentuando a diferença de carácter entre eles, na forma rápido-lento-rápido. Até ao inicio do século XVIII o violino detinha o protagonismo nos concerti a solo, altura em que outros instrumentos como o violoncelo, o oboé, a traversa (flauta transversal em madeira), a flauta de bisel e o fagote começam também a ter algum destaque. O órgão e o cravo são explorados por Händel e Bach.

No entanto, além dos concertos também outras formas de composição foram destacadas no Barroco, como a suite.

  • Suite a solo barroca: No caso das suites escritas para um único instrumento, os primeiros modelos incluíam três danças (Allemande, Courante e Sarabande). Em qualquer caso, esta estrutura poderia apresentar variantes, como outros andamentos que não de dança, ou outras danças. Com o passar do tempo ampliaram-se as opções instrumentais e as suites a solo começaram a ser mais diversificadas e originais. Johann Sebastian Bach é um nome incontornável na composição de suites, com imensas escritas para violino e flauta (chamadas de Partitas), para violoncelo e algumas dedicadas aos instrumentos mais tradicionais da suite (cravo e alaúde).
  • Suite Orquestral Barroca: Em geral, a estrutura deste tipo de composições corresponde a uma Ouverture francesa (lento-vivace) e a uma série de danças escolhidas livremente, escritas na mesma tonalidade, que inclui frequentemente as danças mais populares da época: minuet, bourrée, gavote, etc. O primeiro autor deste tipo de suites é Sigismund Kusser, em 1682. A partir de Kusser, os mais brilhantes génios do Barroco alemão escreveram suites orquestrais. Destacam-se Georg Philipp Telemann, Georg Friedrich Händel (a famosa Water Music [1717] e a Music for the Royal Fireworks [1749]) e Johann Sebastian Bach, autor de diversas suites orquestrais (BWV’s 1066 a 1069).
  • Sonata e Cantata: No Barroco, o termosonataera usado para definir qualquer género puramente instrumental – assim como a cantataera um género vocal.

A Ópera também foi uma forma de composição bastante explorada no barroco musical: A ópera é, grosso modo, uma peça teatral em que os papéis em vez de falados, são cantados. A primeira ópera com sucesso, como já vimos, foi a peça “L’Orfeo” de Monteverdi. Porém, além deste compositor, outros se distinguiram neste tipo de composição: Alessandro Scarlatti, Lully, Rameau e, numa menor extensão, Vivaldi e Händel.

Outro género vocal bastante explorado foi o Oratório: uma ópera em que é contada uma história da Bíblia, de carácter religioso. Porém, com o passar do tempo, os oratórios deixaram de ser representados e passaram a ser apenas cantados. O oratório mais conhecido e interpretado é o “Messias” do compositor Georg Friedrich Händel. Podiam ainda dividir-se em cantatas, que seriam, portanto, oratórios mais pequenos e interpretados em missas e celebrações religiosas.

Deixo-vos agora com um pequeno video a representar cada tipologia vista neste post:

Concerto Grosso n.º 5 do Opus 6, de Georg Friedrich Händel (concertino constituido por dois violinos e um violoncelo), tocado por estudantes de Música Antiga

Concerto Ripieno para cordas em Ré menor, de Antonio Vivaldi, tocado pela Orquestra Barroca de Veneza

Concerto a solo para viola d’amore em Dó Maior, tocado por Ars Antigua 

Suite a solo para violoncelo em Sol Maior, de J.S. Bach, tocado por Tanya Tomkins

Suite Orquestral “Music for the Royal Fireworks”, de Händel, tocado por Freiburg Baroque Orchestra e Orchestra of the Age of Enlightenment

Sonata para cravo, de Carlos de Seixas  

Ária de La Folie da ópera Platée de Rameau, pelos Musiciens du Louvre

Oratório “Messiah” de Händel, Coro Aleluia, tocado por The English Concert


1 Resposta to “Tipologias de composição barroca”


  1. 1 Pedro Araújo
    17 17UTC Março 17UTC 2009 ás 14:10

    Muito bem. O período musical mais brilhante da História da Humanidade. Gostei principalmente do facto de teres incluído Carlos Seixas.


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