Um dos desenhos animados de maior sucesso dos anos 80, é natural que He-Man tenha sido adaptado para o cinema naquela década. O surpreendente é que “Mestres do Universo” ["Masters do Universo", pt-pt], agora disponível em DVD, tenha ido mal nas bilheterias. Afinal, tendo em vista a popularidade da franquia nos desenhos, ninguém poderia esperar o fracasso no cinema.
Com um custo de US$ 17 milhões, o filme arrecadou pouco mais do que isso nos Estados Unidos. O público do desenho não parece ter aceito a versão para o cinema – que aliás tomou várias liberdades em relação à matriz. Como filme, deixa a desejar e mostra o quanto as franquias dos anos 80 eram tratadas com desleixo, comparado aos padrões de hoje, quando séries como “X-Men” são cuidadosamente planejadas e executadas, em várias mídias diferentes – quadrinhos, desenho, cinema etc.
O filme inicia com Esqueleto tendo dominado o Castelo de Greyskull, no reino de Etérnia. A Feiticeira, guardiã do Castelo, é feita prisioneira. As forças de resistência são eliminadas. He-man e os poucos remanescentes entram em combate com Esqueleto, mas terminam tendo de fugir através de um portal que acidentalmente os lança no planeta Terra. A única maneira de retornar é através da chave que abre o portal e que também é lançada à Terra. He-Man e os mestres do universo precisam encontrar a chave, mas terão de enfrentar o exército de Esqueleto.
Há algumas coisas que podem explicar o fracasso nas bilheterias. Em primeiro lugar, aspectos do desenho que o filme não aproveitou. He-Man não tem superpoderes – é apenas um exímio guerreiro, uma espécie de Conan de outra galáxia. Sua espada ainda é mágica, mas na maior parte do filme ele usa armas de laser, no estilo “Star Wars”. Não há o príncipe Adam – o alter-ego do herói-, nem Gorco – o mago engraçado –, e Pacato – o tigre medroso que se transforma no Gato Guerreiro. Também faltam alguns dos aliados do herói. Os fãs costumam ser implacáveis com liberdades excessivas nas adaptações.
Outra falha do filme é a fraqueza como cinema. “Mestres do universo” se pretende um épico mágico, como outros filmes da época – por exemplo, “A História Sem Fim” (1984). Mas por descuido ou falta de dinheiro, oferece um cenário tímido e enxuto, enquanto filmes como “A Lenda” (1985) eram grandiosos na construção de seu universo. Mesmo quando a ação ocorre na Terra, o cenário é prejudicado: não há um pedestre ou motorista nas ruas da cidade onde He-Man enfrenta as forças de Esqueleto (e cujo nome não é dito no filme).
Mesmo assim, “Mestres do universo” também tem méritos. A temática remete a uma jornada para um mundo mágico, no qual se aprende a valorizar o que é mais importante na vida. No caso, através de Julie Winston (Courteney Cox), que vai a Etérnia e ajuda He-Man no combate com o Esqueleto. Ela jamais será a mesma após retornar da jornada. Como já notaram alguns críticos, é uma temática comum nos filmes da época, como “De Volta Para o Futuro” (1985) e “Peggy Sue – Seu Passado a Espera” (1986).
A caracterização de He-Man por Dolph Lundgren é próxima da perfeição na atitude, na aparência e até na voz – algo raro naquela época, quando os diretores pouco se preocupavam em retratar fielmente os heróis. Frank Langella dá ao Esqueleto um tom meio shakespeareano, retratando-o como um símbolo da ambição. As cenas de batalha parecem limitadas frente aos recursos técnicos de hoje, mas na época não faziam feio. O filme tem ainda um tom geral de humor, no mesmo espírito do desenho.
Apesar dos méritos, “Mestres do Universo” é um filme datado pela evolução do próprio gênero. Os filmes épicos são antigos em Hollywood – basta lembrar de “Ben-Hur” (1959) -, mas épicos que mesclam a magia com a ação e a ficção científica começaram com “Star Wars” (1977) e proliferaram nos anos 80 (“Highlander”, “Labirinto”). A partir da década de 90, continuaram sendo produzidos e são feitos até hoje, mas sempre em novas bases – como o recente “A lenda de Beowulf” (2007) e a série Harry Potter.
O gênero evoluiu ao longo das décadas, apresentando cada vez mais incríveis efeitos especiais, referências culturais diversas – muitas vezes eruditas – e perdendo muito da temática ingênua dos anos 80. Comparado com a evolução do gênero, “Mestres do Universo” só tem de mágico a nostalgia dos que cresceram com os desenhos de He-Man.
Douglas Lobo

Bem que o Esqueleto fala no final “I WILL BE BAAACK!!!”, rs… É um clássico, tenho em VHS, peguei da locadora onde eu trabalho, rs… Eu realmente demorei muito para perceber (na minha infância) que era um filme sobre o He-Man de tanta liberdade que eles tiveram, mas é clássico e clássico a gente releva…
Sim o skeletor diz que vai voltar, mas o filme foi de tal forma mau que nunca houve sequela, de qualquer forma, está apra vir um novo MASTERS OF THE UNIVERSE já anunciado no imdb desde 2007
Puuuuts
hauahuahuah
Voltando a Infância!!!
Eu lembro bem quando esse filme saiu… porcaria da boa!