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Sweeney Todd – Crítica Estreante de Douglas

O personagem de Johnny Depp em Sweeney Todd: o Barbeiro Demoníaco da Rua Fleet
(Sweeney Todd: The Demon Barber of Fleet Street, EUA, 2007) é uma espécie de Jack o estripador com aparência de Robert Smith (The Cure). Sempre vestido de preto e com uma maquiagem branca estilo morto-vivo, ele é o centro de uma filme escuro, visualmente caprichado e cujo tema principal é a vingança. O estilo gótico-expressionista que o diretor Tim Burton já mostrara anteriormente (“O estranho mundo de Jack”, “Os fantasmas se divertem”, “A lenda do cavaleiro sem cabeça”) é agora levado ao limite. No entanto, o filme passa a ter um deslocado tom de comédia ao misturar o gótico ao musical estilo clássico e até ao “slash movie” americano.

Benjamin Barker (Depp) é um barbeiro de Londres preso injustamente por ordem do juiz Turpin (Alan Rickman). O juiz quer tirar o barbeiro do caminho para seduzir sua esposa. Quinze anos depois, Barker está livre da prisão e volta a Londres em busca de vingança. Ele adota o nome de Sweeney Todd e passa a trabalhar como barbeiro, à espera de uma chance de se vingar do juiz. Ele termina conhecendo Mrs. Lovett (Helena Bonham Carter), que vende as empadas mais famosas da cidades. Juntos, eles fazem uma bizarra aliança. Todd passa a matar seus clientes e Lovett usa a carne dos cadáveres para suas empadas.

A Londres grandiosa e cheia de formas góticas é o cenário de uma trama que “en passant” aborda temas como a hipocrisia e o abuso de poder. As Londres e os personagens do filme são inverossímeis, mas porque sua função é principalmente simbólica. Grosso modo, é como se cada personagem representasse algo – um tipo, um tema -, ao invés de existirem na realidade. O tom teatralizado do filme é acompanhado pelos atores, que conseguem fazer “teatro” dentro da contenção exigida pelo cinema.

Apesar disso, “Sweeney Todd” é um musical mais espontâneo e dinâmico do que a incursão anterior de Burton no gênero, “A fantástica fábrica de chocolate” (“A noiva-cadáver” é do mesmo ano, mas é uma animação). Agora, os efeitos especiais são imperceptíveis, os atores estão mais à vontade e o tom geral é de menos pretensão e mais entretenimento. O filme se integra perfeitamente à cinematografia de Tim Burton, que demonstra rara coerência entre os diretores da indústria americana ao trazer em seus filmes temáticas e abordagens que resultam em um estilo único.

Nota final: 8/10

Nota: Este é o primeiro post do nosso novo membro da equipa, Douglas Lobo, que vai passar a escrever aqui no blog de hoje em diante. Com a sua entrada, fechamos o Casting e agradecemos a todos os participantes!


3 Responses to “Sweeney Todd – Crítica Estreante de Douglas”


  1. 1 Pipocas e Outras Tretas
    9 de Março de 2008 às 14:02

    Bem-vindo, Douglas! Desejo-te boa sorte e bom trabalho como estreante no blog…!

    Quando ao Sweeney Todd, dou-lhe 7/10 por ser um filme exageradamente escuro, até para Tim Burton. As músicas estavam contudo excelentes, e o elenco é de louvar.

    Parabéns pela crítica e bem-vindo mais uma vez!

    Flávio

  2. 2 Douglas
    19 de Março de 2008 às 21:30

    Agradeço o elogio, Flávio, e espero colaborar bastante com o blog!


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