
Já aqui tínhamos feito uma previsão ao filme “U2 3D”, que gerou alguma controvérsia nos comentários. Três membros do staff do Pipocas e Outras Tretas foram, por fim, ver o filme. Vejam o que a Sandra, o Flávio e o Rúben têm a dizer sobre ele.
Sandra Esteves

Os filmes em 3D estão a ficar na moda em Portugal, e o filme “U2 3D” foi um bom pontapé! Nada melhor do que um concerto para se começar a assistir a filmes em 3D, principalmente um dos U2. Sempre explosivos, mostraram que quanto mais perto deles ainda melhor. Através do filme conseguimos sentir o que, se já os tivermos visto antes em pequenos vídeos, já tínhamos sentido mas em tamanho muito menor: a vibração e explosão da música. Sentimos que não estamos ali para ver os U2, mas para cantarmos, dançarmos e até chorarmos juntos! Eles próprios o tentam passar, tanto para o público ao vivo como para nós, com a nova tecnologia como bengala.
Todos os fãs gostaram do filme. Surpreendeu todos, penso que até os que não são fãs. Mas, tem as suas falhas. Para começar, a lista de músicas escolhidas está muito fraca! Faltam lá imensas músicas, muitas delas muito importantes, ícones que os marcam. A maioria dos fãs pensa que faltam lá a “City of Blinding lights” e a “Elevation”, e não só. E eu penso o mesmo.
Este filme também nos permite estar atentos a cada pormenor. Uma das primeiras coisas com que nos deparamos é com a tão falada solidão do Larry. Lá atrás, na bateria, sozinho e quase escondido, não tem tanta interacção como os outros elementos da banda… nem entre eles, nem com o público. Mas temos uma recompensa, com um maravilhoso sorriso e algo segredado ao ouvido de Bono, que nos fez perceber que ele não se importa assim tanto.
Outra coisa que vemos é como o público brasileiro é fantástico. Penso que é até o mais participativo, aquele com que dá mais gosto “cantar numa só voz”. Ouvimos gritos por toda a parte, quase sentimos o suor deles, de tal entusiasmo!
Notamos ainda mais a cumplicidade que une o grupo. Já todos os fãs a conheciam, mas agora podemos vê-la de forma mais “real”. No filme mostra, inclusive, o Bono a dar um pequeno beijo ao Adam (que, no filme, mostra todo o seu charme).
O filme também prima pela sensação que nos dá de que lá estamos. Há uma parte em que o Bono estica a mão e, a maioria das pessoas ou pensou em esticar ou chegou mesmo a estica-la também! Os efeitos como uma cena em que vemos um plano geral de todos os telemóveis do público no ar, e um em grande com um coração a bater, ou como uma em que letras caem durante a música “The Fly” são a cereja em cima do bolo, para um filme que está perto da perfeição, para o que se pode exigir dele.
Depois há também algumas coisas a notar, como a força com que o Edge toca, vemos toda a sua energia e empenho e o seu grande profissionalismo! O Adam, como já referi, mostra-nos todo o seu charme, tocando como sempre, muito bem. O Bono prova-nos que não é assim tão mau na guitarra como dizem, e mostra aos que não conhecem os U2 que nos concertos emprega toda a sua energia, toda a alma. Quanto ao Larry, como também já referi, notamos a solidão, aquele sorriso rasgado que raramente se vê nele e a agressividade (positiva) com que toca, dando, como os outros, tudo por tudo.
A mim, o filme surpreendeu-me. O mais difícil é quando ele acaba voltarmos à sala de cinema e darmos conta de que não passou de um filme…
….ou talvez tenha passado para além disso.
Nota: 8.5/10
Flávio Gonçalves

Sendo os U2 uma banda que aprecio bastante e tendo em conta que nunca tive a oportunidade de vê-los ao vivo em concerto, esta experiência não podia passar-me ao lado, de nenhum modo! Denote-se também que nunca antes vi um filme em 3D, pelo que, aquando a minha ida ao NorteShopping, pude ter uma oportunidade única na minha vida. Juntando tudo, posso dizer que tinha todos os elementos necessários para que a minha curiosidade e entusiasmo estivessem suficientemente aguçados! Mal recebi os meus óculos que me possibilitavam ver o concerto filmado com uma tecnologia digital “inovadora” e “nunca antes utilizados”, senti que estava pronto para receber boa música. Sabia já, com a previsão realizada pela Sandra, que nas músicas tocadas por Bono Vox, The Edge, Adam Clayton e Larry Mullen Jr. incluir-se-iam “Vertigo”, que abriu o filme (recebida com muitos aplausos por minha parte), “Beautiful Day”, e “Sometimes You Can’t Make it On Your Own” (a minha preferida) e, como adivinhei, ouvi com entusiasmo à balada “One”, que por todos nós nos é conhecida.
Como já disse, “U2 3D” começou com “Vertigo”, o que foi uma óptima escolha e deu perfeitamente para reconhecer toda os efeitos digitais que podiam impressionar o espectador. Na primeira meia hora fiquei bastante surpreendido com a tecnologia mas, quando me habituei, pude concentrar-me mais nas músicas que foram tocadas e devo dizer que achei algumas um pouco irritantes e foram desnecessariamente colocadas como, por exemplo “The Fly” ou “Pride”… não sei é mesmo por não apreciar maioriotariamente tanto as versões “live” às do estúdio ou se, realmente, estavam fracamente tocadas, porque a única coisa que me vinha aos pensamentos era que mal podia esperar pela próxima música.Gostei da “Love and Peace or Else” e a “Sunday Bloody Sunday”, apesar de não inspirar tanta força e sentimento como a original, fez-me recordar o meu ano passado, com alguma nostalgia. Retomando, as outras melodias não me atraem e podiam ser facilmente substituidas com êxitos como “Elevation” ou “City Of Blinding Lights”, que são agradáveis e fazem-me vibrar!
Ainda assim, e apesar disto e alguns planos que podiam ser cortados, agradou-me todo o espectáculo, pesar de não ser apologista de ter em cartaz concertos musicais. Para isso, na minha opinião, criavam-se espaços próprios, não misturando com filmes de ficção e documentários (sublinho também o sentido da palavra “documentário”, género que surge, do nada, no IMDB) para quem não queria ou podia ver a banda preferida ao vivo. A recta final foi bastante boa, com a passagem da declaração universal dos direitos do Homem, e com as palavras a sairem do grande ecrã.
Passei, no final de tudo e fazendo o balanço, um óptimo serão ao lado dos meus melhores amigos, apesar de algumas performances pudessem estar melhor, algumas músicas pudessem ser substituidas, e alguns planos pudessem ser reconsiderados. Repito: apesar de ter gostado de “U2 3D”, nada de concertos nas salas de cinema!
Nota: 8/10
Rúben Gonçalves

Confesso que, se não tivesse sido convidado por estes dois a ver o filme, não o teria feito. Primeiro porque não sou fanático ao ponto de gastar mais de 5 euros para ver um concerto numa sala de cinema onde nem cantar se podia – segundo a Sandra, contudo, da primeira vez que ela foi ver as coisas foram diferentes. Vá-se lá saber… Depois, porque havia filmes interessantes em cartaz. Mas pronto, lá fui.
E o que dizer deste “U2 3D?” Bem, a grande diferença entre ver este e um outro qualquer concerto deles é que aqui recebemos uns óculos especiais à entrada, que nos permitem assistir ao filme em três dimensões. Contudo, não sei se por estar na última fila, essa nova tecnologia não me surpreendeu – e não foram poucas as vezes em que tirei os óculos devido ao desconforto por eles provocado.
Quanto ao concerto em si, pelo que me foi possível apurar, misturaram ali várias actuações realizadas em diversos países. Sim, foi engraçado ver, mas a escolha das músicas podia ter sido melhor – a meu ver, claro, que preferia ter ouvido “I Still Haven’t Found What I’m Looking For” do que outras que ouvi. E, por isso, fiquei um pouco desiludido, pois esperava mais – quer da tecnologia, quer da selecção musical.
No final, perguntamo-nos o porquê de ir ver este concerto a três dimensões. Não senti grande imersão no filme, mas foi-me explicado que, da fila onde eu estava, era difícil senti-lo como aqueles que estavam nas filas mais à frente. Mesmo assim, não revia para comprovar. Imperdível? Só mesmo para os fãs mais ferrenhos da banda. Os outros, como eu, contentam-se a ver uns vídeos no Youtube de actuações igualmente ao vivo… ou a ver os videoclips!
Nota: 6/10
Nota Média: 7.5/10 

Desde já deixem-me dizer que gosto deste blog, não posso passar sem mencionar isso!
Apesar disso, não concordo com todas as opinioes que leio aqui, pois todos somos diferentes e por isso é que este blog é tão interessante.
Por exemplo, neste post, concordo mais com a Sandra Esteves porque foi a única que consegui captar todo o objectivo, trabalho e esssencia do filme. Apesar de são ser fã dos U2 adorei este filme, além de ser um pioneiro neste tipo de filmes, foi bem conseguido. Maravilhosooo!!
Até breve
Beijinhos Joana Cerda